Caminhada assombrada aborda lendas de pontos turísticos de Piracicaba

Foto: Divulgação

Caminhada teve a participação de cerca de 80 pessoas

Lendas com perspectivas assombrosas foram contadas durante a manhã de domingo (31), em caminhada pela cidade no evento denominado Piracicaba – Um Rio de Assombrações, que reuniu cerca de 80 pessoas em percurso gratuito por diversos pontos turísticos do município. O trajeto, organizado pelo projeto O que Te Assombra, junto do historiador piracicabano Paulo Renato Tot Pinto, teve início no Cemitério da Saudade e foi finalizado no Engenho Central. Na ocasião, foram coletados alimentos não perecíveis para o grupo Ajuda do Bem Piracicaba, que realiza ações sociais na cidade e é parceiro do JP.

De acordo com Felipe Cypriano, um dos voluntários do projeto, foram arrecadados alimentos não perecíveis (aqueles que podem ser guardados por períodos longos e trazem menores dificuldades à conservação, porque podem ficar à temperatura ambiente, como por exemplo: milho, macarrão, feijão, soja, arroz, café, fubá, açúcar, polvilho, farinha de trigo, cevada, farelo de trigo, leite em pó, óleo, biscoitos, pipoca, achocolatado e gelatina em pó), suficientes para compor quatro cestas básicas. “Inclusive, já conseguimos fazer a doação para duas famílias, no próprio domingo”, ele relata.

No Cemitério da Saudade houve explanação sobre túmulos de figuras ilustres de Piracicaba, como Prudente de Morais, que foi o primeiro civil a assumir o cargo de presidente do Brasil, e o padre Galvão Paes de Barros, cujo túmulo está inserido na lenda de que, ao ser conduzido para o enterro no cemitério, teria caído no lugar onde está até hoje, porque quando o caixão caiu não houve força humana capaz de erguê-lo para deslocar a outro local.

Em seguida, os participantes foram conduzidos ao largo da Santa Cruz e à praça José Bonifácio, onde, segundo lenda, há a cabeça de uma cobra que tem o corpo que chega até o rio Piracicaba e que, a qualquer momento, pode “engolir” a cidade. Depois, a caminhada seguiu para a Igreja São Benedito, a Escola Estadual Morais Barros, a praça da Boyes, na região onde funcionou uma fábrica de tecidos, a passarela Pênsil e o Engenho Central, com explicações sobre os lugares e também apresentações das lendas.

A ideia do projeto O que Te Assombra, segundo o idealizador Thiago de Souza, que é advogado, roteirista e compositor, nasceu em agosto de 2021, quando lia Assombrações do Recife Velho, de Gilberto Freyre. “O livro faz uma associação muito interessante sobre as histórias de assombrações da cidade e a fundação de Recife. Cada cidade tem a assombração que cultiva. Isso porque as assombrações estão ligadas ao imaginário popular, que por sua vez está completamente influenciado pelo senso comum. As assombrações resultam do que a sociedade acredita e teme”, falou.

Durante a caminhada, Souza instiga reflexões a cerca das lendas e a relação com preconceitos sociais, como a ideia da noiva que se torna fantasma porque não cumpriu o “propósito de sua vida”, que era casar com um homem, ou de acreditar que um local que sepulta indígenas e/ou escravizados é amaldiçoado. “Adoramos ver as pessoas redescobrirem suas cidades, sob outro olhar, numa dimensão completamente inusitada e lúdica. Acreditamos que isso muda o sentido de identidade, além de preservar esse tipo de patrimônio imaterial, que são as histórias que o povo conta. Outra questão ligada ao afeto é o de lembrarmos de pessoas que nos contavam essas histórias e, inevitavelmente, nos tornarmos esses contadores de histórias”, disse.

Conforme o historiador Paulo Renato Tot Pinto, membro da diretoria da Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais, os cemitérios deixaram de ser exclusivamente mecanismos sanitários de sepultamento de corpos e, cada vez mais, se transformam em espaços de cultura e memória. “As necrópoles guardam riquezas arquitetônicas, biografias históricas e sociais que explicam muitas vezes as tensões existentes na cidade dos vivos. Promover o uso desse espaço com eventos de cunho histórico e de até de outras áreas é de suma importância. Ocupar a cidade é necessário e propiciar cultura aos cidadãos é primordial”, disse.

Para a revisora e tradutora de textos Salen Nascimento, que participou da caminhada, o evento foi para adquirir novos conhecimentos. “Durante o passeio, pudemos conhecer lendas sobre lugares da cidade pelos quais passamos com frequência, mas cujas histórias desconhecíamos com profundidade”, falou.

As lendas que integraram a caminhada em Piracicaba podem ser conferidas no canal do projeto no YouTube (www.youtube.com/c/OQUETEASSOMBRA). Outras informações são divulgadas no perfil do Instagram @oqueteassombra.

Da Redação

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