Candidatos justificam auxílio emergencial por perda de renda

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Medida provisória estipulou que o auxílio não será devido a quem tenha declarado bens de até R$ 300 mil. / Foto: Amanda Vieira/JP.

Mais dois candidatos à Câmara de Vereadores de Piracicaba apontaram a perda de renda durante a pandemia da Covid-19 como justificativa para o recebimento de auxílio emergencial. Até o momento, 10 dos 18 candidatos com patrimônio superior a R$ 300 mil, os quais receberam ao menos uma parcela desse benefício, tiveram suas manifestações registradas pelo Jornal de Piracicaba. Nenhum deles negou ter recebido o auxílio ou alegou ter havido fraude com seus dados. Fernanda Diogo (PSB) e Luiz Matarazzo (PSL) entraram em contato com a reportagem por e-mail, no sábado à tarde, após o fechamento da edição publicada neste domingo. 

Com patrimônio declarado de R$ 540 mil, a candidata Fernanda Diogo explicou que atua como autônoma e que, durante o início da pandemia, manteve seu sustento com o auxílio emergencial. Ela também ressaltou que a casa incluída na lista de patrimônios dela, no valor de R$ 520 mil, é financiada, com dívida atual de R$ 120 mil. Além disso, Fernanda informou que teria direito a apenas 10% desse imóvel. Ainda em sua resposta, a candidata reclamou do fato não ter sido procurada pela reportagem. O JP registra que tentou o contato, mais de uma vez, por meio de número de telefone fixo disponível na Internet, o qual estaria registrado a uma empresa dela, um salão de beleza localizado no bairro Alto.

Já o candidato Luiz Matarazzo, cujo patrimônio declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de R$ 800 mil, referente a um único imóvel em São Paulo, afirmou que essa casa é ocupada pela ex-mulher dele. Matarazzo também explicou que, apesar de já contar com 71 anos, não conseguiu se aposentar, se sustentando com alguns serviços e com o apoio de seu atual relacionamento. O candidato ainda deixou clara sua insatisfação com o jornal, alegando não ter sido procurado. Nesse caso, a reportagem do JP também confirma ter tentado contato por meio de número de telefone divulgado nas redes sociais do PSL. Ainda em relação ao partido, a reportagem corrige a informação publicada neste domingo, de maneira equivocada, de que o candidato Edilson de Madureira seria filiado à sigla; na verdade, esse candidato disputa uma vaga na Câmara pelo DEM.

Apesar da manifestação da candidata Calau Fuzaro (Patriota) nas redes socias do jornal ter sido incluída na versão imprensa, na qual ela alegava ter perdido todos os contratos de trabalho em março, ela encaminhou áudio ao JP nesta segunda-feira. Em sua declaração de bens ao TSE, Calau havia registrado um terço de um apartamento em usufruto no valor de R$ 600 mil. No entanto, ela declarou ao jornal ter um quarto de um apartamento, com valor inferior a R$ 100 mil. “Ainda que eu tivesse bens, bens não pagam conta, não põem comida na mesa”.        

A lei que criou o auxílio emergencial, no início da pandemia, não estabeleceu restrições formais quanto ao valor do patrimônio dos beneficiários. No entanto, uma medida provisória, editada em setembro, estipulou que o auxílio residual não será devido a quem tenha declarado bens de até R$ 300 mil em 31 de dezembro de 2019. O TCU também alerta que, apesar de ser indício de renda incompatível com o benefício, a lista de bens declarados pelos candidatos ao TSE pode ter sido preenchida de maneira incorreta. O TCU também não descarta a possibilidade de fraudes estruturadas com dados de terceiros e ressalta que só o Ministério da Cidadania pode confirmar se o pagamento é indevido.

Abaixo, segue a lista dos 18 candidatos com patrimônio superior a R$ 300 mil que receberam ao menos uma parcela do auxílio emergencial em Piracicaba. O JP permanece aberto às manifestações dos oito candidatos ainda não ouvidos.

João Marcelo Vicentin (PSL) – R$ 1,6 milhão (patrimônio declarado) – R$ 600 (auxílio emergencial);

Agnaldo Benedito de Oliveira – Guina (Podemos) – R$ 1,04 milhão (patrimônio declarado) – R$ 300 (auxílio residual);

Edilson de Madureira (DEM)* – R$ 950 mil (patrimônio declarado) – R$ 600 (auxílio emergencial);

Chittolina (Patriota)* – R$ 845 mil (patrimônio declarado) – R$ 600 (auxílio emergencial);

Xis Martins (PL)* – R$ 815 mil (patrimônio declarado) – R$ 300 ( auxílio residual);

Luiz Matarazzo (PSL)* – R$ 800 mil (patrimônio declarado) – R$ 300 (auxílio esidual);

Calau Fuzaro (Patriota)* – R$ 600 mil (patrimônio declarado) – R$ 300 (auxílio residual);

Fernanda Diogo (PSB)* – R$ 540 mil (patrimônio declarado) – R$ 300 (auxílio residual);

Marcello Sanches (PSB)* – R$ 444 mil (patrimônio declarado) – R$ 300 (auxílio residual);

João Liberato (Cidadania) – R$ 408 mil (patrimônio declarado) – R$ 300 (auxílio emergencial);

Cristiano Nardon (PSL) – R$ 380 mil (patrimônio declarado) – R$ 300 (auxílio residual);

Claudia Nascimento (PSDB) – R$ 350 mil (patrimônio declarado) – R$ 600 (auxílio emergencial);

Débora da Auto Escola (PSL)* – R$ 330 mil (patrimônio declarado) – R$ 600 (auxílio emergencial);

Ana do Mercadinho (Cidadania)* – R$ 323 mil (patrimônio declarado) – R$ 600 (auxílio emergencial);

César André (PSL) – R$ 316 mil (patrimônio declarado) – R$ 600 (auxílio emergencial);

Tico (PL)* – R$ 305 mil (patrimônio declarado) – R$ 300 (auxílio residual);

Chantecler (Patriota) – R$ 305 mil (patrimônio declarado) – R$ 600 (auxílio emergencial);

Ricardo J Forti (PP) – R$ 300 mil (patrimônio declarado) – R$ 600 (auxílio emergencial)

*candidatos ouvidos pela redação do Jornal de Piracicaba. Todos justificaram ter recorrido ao benefício devido à perda de renda durante a pandemia. 

Ana Carolina Leal
[email protected]

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