Carlos Joussef: “A pandemia acaba esse ano, com certeza”

Carlos Alberto Joussef nasceu em Rio das Pedras e é graduado em medicina pela USP (Universidade de São Paulo), na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, com residência médica na especialidade de ginecologia e obstetrícia. É presidente da Unimed Piracicaba desde março de 2012. No Hospital Unimed, já atuou como diretor técnico de 2005 a 2009, e diretor clínico de 2005 a 2012. Nesta entrevista, Joussef comenta sobre os 50 anos da cooperativa e fala esperançoso da vacinação contra a covid-19.

A Unimed Piracicaba recém-completou 50 anos com números e resultados expressivos. Quais os principais fatores que a torna referência na assistência à saúde no país?
A Unimed Piracicaba cresceu muito a partir da mudança no modelo de gestão, com foco no paciente. Tirou-se a gestão do médico. As condutas para as patologias e as medidas para a vida do paciente acontecem por meio de núcleos de gestão divididos por áreas de cuidado e auditoria; no Hospital Unimed, o centro de excelência médica estuda o paciente. Somos adeptos do modelo norte-americano de trabalho médico, o chamado Golden Doctor: são médicos escolhidos que executam determinadas funções no hospital – só ele faz, porque tem o resultado e a performance exatamente como a medicina preconiza. Outra questão balizada foi a medicina baseada em evidências. Existem muitos aspectos da medicina que não tem fundamento, resultados ou evidências científicas, mas são preconizados por médicos e clínicas. E isso mudou. Não se faz mais o que quer, o médico não é ‘dono’ do paciente. O paciente apenas é tratado por aquele determinado profissional, o paciente é do Plano de Saúde. Quem dita a melhor conduta para a vida do indivíduo é o plano. São características de um modelo de gestão que aprendi nos USA, há dois anos, no plano Kaiser Permanente, com mais de 15 milhões de beneficiários, no Vale do Silício, na Costa Oeste. Foi isso que mudou na cooperativa: hoje o paciente é melhor assistido, melhor conduzido e com mais benefícios para a sua saúde. Ou seja, o exame tem que ser bem pedido, a cirurgia bem planejada, o caso tem que ser discutido. A onipotência do médico acabou, por mais que ele seja capaz. A medicina, hoje, não permite mais a decisão de uma única pessoa. Uma consulta pode ser relevada, mas uma cirurgia, algo de risco, não se permite mais.

Uma série de novidades vieram junto aos 50 anos. O que a Unimed Piracicaba recém inaugurou e já anunciou para um futuro próximo?
Focamos na infraestrutura e na área digital. Esse ano será dedicado para isso. As obras estão andamento. Acabamos de inaugurar um centro cardiológico completo com UTI, hemodinâmica, leitos de observação cardiológica, oferta de todos os exames cardiológicos (mapa, eco, holter, teste ergométrico, ergoespirométrico, ecocardiogramas, ecodoppler), além de uma equipe de médicos especializada 24 horas, inclusive com anestesista. Estruturamos outras áreas no Hospital Unimed, como a pediatria, o day clinic e o centro obstétrico. Estamos construindo um novo prédio administrativo, com 2.500 m² de área, que será inaugurado em maio, ao lado do Hospital. Outra futura inauguração é um novo centro comercial de 800 m², na região central, no fim da rua Governador Pedro de Toledo com a avenida dos Operários, de acesso e estacionamento fácil. Temos, ainda, o projeto do centro de reabilitação, cuja planta está pronta, com 6.000 m² de construção, em localização estratégica: em frente a Área de Lazer do Parque da Rua do Porto. A estrutura contará com centro de dor e profissionais nas áreas de fisioterapia, nutrição, psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, educação física, além de médico fisiatra. Será preparada para atender crianças com necessidades especiais e idosos na reabilitação pós-cirúrgicas e neuromusculares (AVC), com atividades de musicoterapia e hidroterapia. Todas estas obras em infraestrutura são para o beneficiário, um retorno à confiança que ele credita à Unimed. São investimentos em assistência, na área médica.

Como o Hospital Unimed se preparou para assistir aos beneficiários desde o início da pandemia?
Desde janeiro de 2020, a Unimed Piracicaba se preparou para a pandemia da covid-19, acompanhando a evolução no cenário internacional e, junto às agências reguladoras como OMS (Organização Mundial de Saúde) e Ministério da Saúde, construiu protocolos e realizou adequação na sua estrutura física.
Foram desenhados vários ciclos de complexidade ao longo do período de pandemia. Estes ciclos previam mudanças estruturais, instalação de uma tenda com espaço para atendimento seguro ao paciente com covid-19 e aos demais beneficiários da Unimed, adequação de leitos, reforço de estruturas em equipamentos e recursos humanos, grupos de educação continuada, investimentos em tecnologias e EPIs, construção de um setor específico de controle de excelência médica para atualização continuada de protocolos e fluxos, equipe de monitoramento e contratos de suporte de insumos e uma série de outros recursos.

Como o sr analisa o desempenho da Unimed na prevenção e tratamento da covid-19?
Obtivemos excelente desempenho em relação ao cuidado ao beneficiário com covid-19, com expressivos resultados clínicos. Até o momento (09/02/2021), o Hospital Unimed Piracicaba atendeu 36.942 casos suspeitos de covid-19. Destes, 10.759 (29%) foram diagnosticados com SarsCov2, sendo que a taxa de óbito é de 0,9% (101 casos). Ao analisarmos a taxa de mortalidade do estado de São Paulo e, também, em nível de Brasil, destacamos que o Hospital Unimed Piracicaba obteve uma das menores taxas do mundo. Hoje, oferecemos o teste rápido com 97% de precisão. Na tenda instalada em área externa do Hospital, temos três consultórios médicos 24h, além de blocos isolados para internação e três UTIs para covid-19.


Ao falar em futuro, muitos dizem que a telemedicina será um dos principais legados nesta pandemia para a área da saúde. A Unimed Piracicaba já é adepta à telemedicina? Como está a questão?
Começaremos este ano na Unimed Piracicaba. E além da telemedicina, faremos também o pronto atendimento virtual, o paciente será assistido em sua própria casa ou onde ele estiver. A telemedicina vai ocorrer e será bem estruturada. Teremos médicos exímios atrás da tela, seguindo protocolos e acompanhamento, além de um chat (bate-papo) com um outro médico, se necessário, que também irá opinar. É complexo. Vamos avançar muito nisso este ano, mudanças grandes na cooperativa. Atendimentos on-line já são realizados nas áreas de psicologia, psiquiatria, nutrição e na unidade Health Life – Viver Bem Unimed.

Existe um esforço contínuo na Unimed Piracicaba para combater o desperdício. Como foi possível garantir o sucesso desta campanha, qual é o estímulo da equipe para manter o foco neste empenho?
São questões pequenas no dia a dia, mas que fazem diferença no comportamento e atuação das pessoas. É uma preocupação para não ter desperdício de diversos itens, como material, medicação e até na construção civil tem que ser combatido. Sou um defensor da flora e da fauna, gosto muito de animais e plantas. Considero-me um ambientalista e o descarte incorreto, o desperdício, prejudicam muito o meio ambiente. A Unimed Piracicaba investe em ações de conscientização para os colaboradores, enfatizando a importância dos recursos naturais para a sociedade, prezando pela conservação dos bens materiais e a destinação correta de resíduos.

Pelo tanto que a Unimed Piracicaba cresceu, a referência que se tornou, uma verdadeira instituição do município, vê alguma possibilidade da integração da Unimed com o sistema público da cidade?
Sim, já existe. Fazemos eletroencefalograma para crianças da rede pública, por meio de parceria com a Prefeitura de Piracicaba, gratuitamente. Oferecemos médico neurologista, anestesista e a estrutura para o exame. Uma parceria de anos. A Unimed tem orgulho de fazer parte deste processo. Temos também o projeto de doação de fraldas ao Fundo de Social de Solidariedade do município, além de parcerias e doações à Casa do Bom Menino, Centro de Reabilitação de Piracicaba, Lar Betel, entidades que cuidam de crianças com síndrome de down, autismo, entre outras. Temos parceria com o Plante Vida, junto à Sedema (Secretaria Municipal de Defesa do Meio Ambiente). Mantivemos conversa com o prefeito Luciano Almeida e vamos continuar trabalhando juntos.

E como a Unimed está se equipando e se preparando para oferecer vacinas da covid-19? Já existe algum movimento?
A compra de vacina é complicada, mas a possibilidade existe. A produção de vacina está muito alta. No entanto, na minha opinião, não será um movimento necessário da rede privada, acredito que 80% da população do país será vacinada esse ano.

De um modo geral, como o senhor analisa o processo de vacinação, por meio de vacinas criadas de modo tão rápido, para aplacar o vírus?
Tudo se moderniza no mundo. Se antigamente demorava tanto para fazer um carro, hoje demora um centésimo do tempo. Se demorava anos para publicar um livro, agora ele é feito em um mês. O mundo se tornou rápido demais. O volume de criação aumentou. Eu sempre falava que em outubro do ano passado a vacina estaria pronta, e ficou. O domínio da tecnologia e o conhecimento biológico acrescentaram a favor. O homem hoje domina tudo com facilidade, e o que ainda não domina, é questão de tempo. Num futuro breve, a vacina para HIV/Aids estará à disposição.

Pela experiência do senhor como médico e gestor da Unimed, até quando acredita que esta pandemia vai durar?
Ao vacinar 50% da população, ameniza o problema. Porque a vacina dá uma imunização de rebanho. O contágio vai diminuir bastante quando 60% das pessoas estiverem vacinadas. O problema maior é a cepa, as mutações, algo que aconteceu com a Influenza, do vírus H1N1. Quando se imuniza uma determinada parcela, cai a virulência, enfraquece o vírus. Cria-se resistência. A humanidade não pode parar e por isso as soluções foram rápidas. A pandemia acaba este ano, com certeza.

Como o senhor se sente hoje após a covid-19 e perante os 50 anos da Unimed?
Quero agradecer, primeiramente, a Deus por estar vivo, aos profissionais da saúde que me ajudaram a vencer a covid-19, e a toda população do município de Piracicaba. Hoje a Unimed é um bem social. Dou o melhor e máximo de mim. Voltei a trabalhar na semana seguinte que tive alta hospitalar, após o período de internação. Tenho orgulho de ser presidente da Unimed Piracicaba, mas a satisfação não tem limite, temos que ir atrás sempre. O beneficiário pode ter certeza que vamos prosseguir na busca da excelência do atendimento e qualidade para a sua saúde.

Erick Tedesco | [email protected]

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