A poucos dias do início do Carnaval, qualquer programação de lazer gira em torno da folia, até mesmo para aqueles que optarão por se resguardar longe do samba e da serpentina. Para tutores de pets, a dúvida é se levam os bichinhos para as festas de rua e bloquinhos, se customizam alguma fantasia ou, então, optam por simplesmente deixá-los em casa, sem contato direto com o barulho e a agitação da época.

Especialistas são unânimes em apontar cautela aos tutores. Para Natália Gouvêa, veterinária da clínica Soft Dogs e Cats, de São Paulo, o bem-estar animal sempre deve ser colocado em primeiro lugar. “Ambientes como bloquinhos e carnavais de rua são muito lotados, com muita bagunça e podem deixar o animal estressado e com medo. Além disso, nessas celebrações, garrafas podem quebrar no chão e perfurar o animal ou alguma pessoa pode cair, tropeçar ou deixar cair espuma e bebida no animal”.

Já Priscila Brabec, veterinária e gerente da Ceva Saúde Animal, aponta outra questão importante neste tema: respeitar a personalidade do pet, mas também preocupada com o bem-estar do bichinho. “Se for um cão mais tímido, por exemplo, que não gosta de barulhos ou fica incomodado com outras pessoas, ele não deve ser levado em bloquinhos e carnavais de rua. O primeiro passo é sempre pensar no bem-estar, pois não são todos que sentirão confortáveis em ambientes com muito barulho e pessoas”.

Caso o tutor entenda que o pet se sentirá confortável para acompanhá-lo na diversão, as especialistas recomendam, no entanto, evitar a exposição dos animaizinhos a glitter, espumas e outros materias tóxicos, comuns na folia carnavalesca. “O glitter, seja o de papelaria, ou o de maquiagem, pode causar reações alérgicas, vômito e irritação na mucosa e na pele, principalmente caso o animal se lamba”, ressalta Natália.

Priscila também pede que o pet fique longe do glitter. “Eles têm o hábito de lamber a pele/pelagem e isso pode causar a ingestão excessiva do produto; posteriormente, algum desconforto gastrointestinal. Outro ponto também é a difícil retirada do glitter da pele/pelagem, o que pode lesioná-la se houver muita fricção na hora do banho”.

O mais recomendado pelas especialistas é não colocar nada nos pets. “Alguns animais possuem alergia independente do que seja, mesmo quando o produto é considerado atóxico. Além disso, glitter, espumas, bebidas alcoólicas e confetes, cada um da sua maneira podem intoxicar o animal e causar alergias”, avisa Natália.

E fantasia, qual a ideal para o pet? A veterinária Priscila alerta que fevereiro é um período de temperaturas altas e o cuidado deve ser redobrado. “É uma época quente, então deve-se pensar em roupas confortáveis”. Para Nathália, o correto é procurar marcas que produzam roupas específicas para pets. “É aconselhável o uso de materiais leves e que ‘acompanhem’ as características comportamentais do animal, como a temperatura do ambiente em que fica a maior parte do tempo, o comprimento do pelo, se o bichano costuma se coçar muito. Roupas com tecidos mais pesados e ásperos, devem ser forrados para não irritar a pele do animal, mas mesmo assim não são aconselháveis”.

Outra folia que está no grupo do “nem pensar”, destacam as especialistas, é tingir a pelagem dos pets. “Se o pet tiver alguma alergia ou sensibilidade pode aparecer sinais como vermelhidão, irritação, coceira”, conta Priscila. Natália complementa que as reações mais comuns nos pets que têm a pelagem e pele tingida são intoxicação, vômito, diarreia, vermelhidão, inchaço, espirros excessivos e hipersalivação.

Erick Tedesco ([email protected])

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