Caroline Andrade: Um ‘Novo’ conceito sobre política

A piracicabana Caroline Andrade, 37 anos, sempre foi avessa à política. No ano passado, a empresária filha de Amadeu e Rosemeire de Andrade, casada com o gerente de relacionamento Wagner Pereira e mãe dos gêmeos Carlos Eduardo e Victor Hugo, de 18 anos, decidiu sair de sua zona de conforto e se filiou ao partido Novo.

Atualmente, ela é coordenadora voluntária do núcleo do partido em Piracicaba. Carol é formada em Comunicação pela Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) e tem MBA em Gestão Comercial pela FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Profissional da área comercial, trabalhou em grandes empresas no setor de logística e telecomunicação e em 2014 decidiu abrir seu próprio negócio, passando por altos e baixos, como todo empreendedor brasileiro.

Carol mantém sua empresa de acessórios femininos (Rare Semijoias) e recentemente se lançou em uma nova empreitada, que leva seu nome e atua com marketing digital.

Nas horas vagas, ela conta que  gosta de ficar em casa, de uma boa leitura e de assistir séries da Netflix, que ‘ a encatam’. Uma boa cervejinha, num lugar bacana, também são opções bem vindas, além de prestigiar amigos empreendedores. Carol revela que sempre se preocupou com o próximo, com a geração de oportunidades para todos, independente da classe social, raça ou credo. Ela desenvolve projetos voluntários que atuam no empreendedorismo e ações socioambientais.

Nesta semana, ela respondeu às questões do Persona e fala dos desafios do Novo enquanto partido liberal, da ideologia e atuação da legenda no cenário nacional.

Quando o Partido Novo foi criado e quais os principais objetivos da legenda?
O Partido Novo foi fundado em 2011, por cidadãos comuns que nunca haviam se envolvido na política e decidiram sair da indignação para a ação. Após intenso trabalho de propagação dos objetivos e valores, além da coleta de assinaturas exigidas, foi deferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2015.
Os objetivos do Novo estão expostos em nosso site, em suma:
Liberdade com Responsabilidade, o Estado deve priorizar o essencial: saúde, educação e segurança, liberdade para trabalhar e empreender, visão a longo prazo. Nosso movimento não é imediatista, apesar dos anseios da população e todos são iguais perante a lei. Acreditamos que numa sociedade organizada e democrática, a união de cidadãos em um partido político é a forma mais adequada para se trabalhar em prol de um país mais justo. Entendemos os cargos eletivos como oportunidades de prestação de serviço público e não como carreira profissional. Cremos que essa oportunidade deva existir sempre, para todos os cidadãos vocacionados, cujo objetivo seja o de construir um presente digno e um futuro melhor.

Desde quando você é presidente do Novo?
Atualmente sou coordenadora voluntária do núcleo do partido em Piracicaba, não temos um Diretório homologado, portanto, não temos presidente. O Novo opta por um crescimento sustentável e responsável, não seria diferente com sua expansão. Assumimos a liderança em agosto de 2019, junto com Mari Cançado, Eduardo Negretti, Alexandre Setten e Rafael Dutra, iniciando um trabalho voluntário, que visa a expansão dos valores e princípios do partido em Piracicaba.

Como você avalia o desempenho do partido nas últimas eleições para presidente da república com o candidato João Amoêdo?
O desempenho de João Amôedo, até então relativamente desconhecido dos brasileiros, foi espetacular. Ele conquistou o 5° lugar, na frente de candidatos da velha política, sem tempo em TV aberta e, principalmente, sem usar um centavo do dinheiro público.

Romeu Zema, foi eleito governador de Minas Gerais com mais de 6,9 milhões de votos, provando que o povo clama por renovação.

Nossa grande conquista foi o despertar da sociedade, provando que é possível fazer uma política nova de verdade, por meio dos nossos mandatários eleitos.

Como está atualmente a atuação política do partido, em quais estados ele possui deputados e quantos ocupam cargos federais?
Em 2018 somamos mais de 22 milhões de votos e elegemos 8 deputados federais, a melhor estreia de um partido na Câmara, finalizando o primeiro ano de mandato com as 8 primeiras colocações no Ranking dos Políticos, que classifica a atuação dos melhores parlamentares federais, levando em consideração o combate a corrupção, privilégios e desperdício da máquina pública.

Contamos com 11 deputados estaduais, em 4 Estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul) e 1 distrital.

Temos a atuação de 4 vereadores, eleitos em 2016, sendo SP, Minas, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. O Novo participou apenas nas principais capitais do país.
 
O partido tem um processo diferenciado para os filiados que desejam se candidatar ao Executivo e ao Legislativo. Quais são os critérios para que a  candidatura  seja aprovada pelo Novo?
As exigências eram em relação a ficha limpa, estar alinhado com princípios e valores do partido, bem como mostrar conhecimento da cidade e capacidade de identificar problemas e propor soluções, isso claro além de comprovar capacidade com o cargo pleiteado. De fato o processo é bem exigente, inclusive esse é um dos motivos da adesão dos nossos filiados, eles sabem o que podem esperar dos candidatos do partido, que de forma alguma visa aspirações pessoais, mas sim de ideias. Na primeira etapa do processo seletivo para Executiva não era exigido filiação imediata.

Este ano teremos eleições municipais. O Novo vai ter candidato para o Executivo? Quantos candidatos a vereador deverão participar do processo?
O Partido Novo não participará das eleições municipais de 2020 em Piracicaba. É importante lembrar que não se faz política, não se exige dos eleitos pelo povo, apenas em ano eleitoral. Nossa força estará na análise das propostas, na exigência de maior transparência com os gastos públicos, no acompanhamento das ações municipais a fim de desburocratizar a gestão pública, trazendo mais benefícios ao cidadão.

Para um crescimento sustentável e sem a perda de seus valores, a Executiva Nacional lançou em fev/2019 alguns requisitos para a escolha das cidades que participariam nesse momento. O grupo de voluntários de Piracicaba cumpriu as metas em quase sua totalidade, atingindo número mínimo de filiados, caixa para a formação do diretório, mas não conseguiu ter um candidato a executivo aprovado no PS. Foram seis candidatos que passariam por três fases, num processo totalmente isento de interferências locais e estaduais, realizado por uma empresa contratada em análise comportamental, em conjunto com uma bancada da Executiva Nacional, chamada Comitê de Avaliação conforme consta em nosso Estatuto. A regra determinava que apenas cidades com as metas batidas e um Executivo aprovado participariam das eleições e, mesmo com um processo aberto e democrático, Piracicaba não encontrou o candidato ideal.
 

Hoje, qual é a posição do partido – em Piracicaba – com relação a apoio ou oposição aos governos municipal, estadual e federal?
Vale lembrar que o Partido Novo é um partido liberal, portanto queremos um Estado com uma gestão mais eficiente, que se preocupe com questões básicas como saúde, educação e segurança. A desburocratização e uso consciente do dinheiro do pagador de impostos, que custa cada vez mais aos nossos bolsos, deve ser planejado e executado a curto, médio e longo prazo, e não apenas como forma de se perpetuar no poder.

A renovação é item primordial e Piracicaba clama por mudanças em sua gestão, tanto no legislativo quanto executivo.

Uma vez que não teremos candidatos, o Novo apoiará ideias e não candidatos. Nossos filiados terão a livre oportunidade de votar com a sua consciência, esperamos que o façam baseados em propostas que estejam alinhadas com nossos valores e posicionamentos.

Como o Partido Novo avalia o desempenho do Governo Federal frente as principais demandas do país?
A análise do governo federal deve ser encaminhada para a Executiva Nacional.

Um dos fatores que contribuíram para a formação do Novo foi a questão da carga tributária e melhoria da qualidade dos serviços prestados à população. Como partido tem atuado nessa questão?
As pautas prioritárias para a bancada federal do Partido Novo são: a extinção do Fundo Eleitoral e Partidário, afinal em um país onde não se atende minimamente a saúde e educação do cidadão, não se pode usufruir do dinheiro público para manter seu partido e mandatários. Isso é uma vergonha! Continuaremos firmes nesse propósito, o corte de privilégios e custos de gabinete, pois por intermédio do exemplo podemos comprovar que pode se fazer “muito com pouco”. Isso é gestão eficiente! Apoio a propostas como a Reforma da Previdência, Reforma Tributária e Liberdade Econômica e a conversa aqui é bastante longa, pois o trabalho do parlamentar do Novo realmente é intenso.

Em sua opinião sobre o principal fator que diferencia o Partido Novo dos atuais grupos políticos?
Hoje o Partido Novo é o único partido político que representa a população de fato, que busca pessoas capacitadas, com índole intocável e princípios inegociáveis para atuar em uma política totalmente desgastada com casos de corrupção em todas as estâncias, com desrespeito com o dinheiro da pesada carga tributária paga pelas pessoas.
A transparência em seus processos, mesmo com a possibilidade de não agradar ao mais imediatista, o Estatuto é respeitado. As regras são estabelecidas de forma consciente e cumpridas, visando sempre o resultado a longo prazo. Não existe privilégio ou preferências pessoais.
 
Como é a atuação das mulheres e dos jovens no Novo?
Apesar de ser um partido que atrai muitos jovens e mulheres, ainda temos enfrentado uma dificuldade imensa na adesão desses focos na política, talvez porque o nome política hoje representa tudo o que o cidadão de bem não quer se aproximar. Nosso desafio é levar o conhecimento a todos, pois acreditamos apenas que com bons exemplos conseguiremos mudar esse cenário.
 
O partido utiliza o fundo partidário? Por quê?
Uma das nossas principais bandeiras é a não utilização do dinheiro público, por meio de impostos pagos pelo cidadão, para manter nosso partido, pelo Fundo Partidário, ou as campanhas eleitorais, por intermédio do Fundo Eleitoral.

São os apoiadores, que acreditam em seus valores e ideais, que devem manter os partidos e suas campanhas, inclusive economizando os gastos exorbitantes que hoje ocorrem. Por isso, para continuarmos esse movimento que já tem mudado nosso país, precisamos manter nossos filiados em crescente evolução.

Beto Silva

Crédito da foto: Amanda Vieira/JP