Caso Carolina: advogado de Anderson renuncia a todos os processos

Foto: Alessandro Maschio/JP

O advogado contratado por Anderson dos Santos Andrade, autor do crime de feminicídio contra Carolina Dini Jorge, renunciou a todos os processos de seu cliente no final da semana passada. Anderson havia contratado esse advogado para sua defesa nos processos criminais. Com a renúncia do advogado, Anderson foi automaticamente encaminhado para a Defensoria Pública.

“A Defensoria Pública está assumindo agora a defesa do Anderson nos três processos criminais”, confirmou Jussara Albino Moretti, advogada da família de Carolina. “No cível, ele já estava pela Defensoria.”

Além do processo do júri, referente ao feminicídio, Anderson responde também processo por ameaças de morte feitas ao irmão da Carolina — que ocorreu no dia em que ele chegou a Piracicaba. Na ocasião, ele disse que o irmão de Carolina seria o primeiro que ele mataria assim que saísse da prisão.

A primeira audiência referente ao caso de Carolina Dini Jorge está marcada para acontecer às 14h45 do dia 08 de agosto.

RELEMBRE O CASO — O crime ocorreu no dia 24 de março, no bairro São Dimas, em Piracicaba. Carolina Dini Jorge tinha 41 anos e foi morta a facadas ao sair para buscar a filha na Escola Estadual Honorato Faustino.

A GCM (Guarda Civil Municipal) foi acionada, posto que algumas pessoas haviam visto um suspeito armado com uma faca no perímetro escolar. Assim que os guardas Luciane e Tancredo foram até o local, avistaram o Chevrolet Prisma estacionado na altura do numeral 750 da rua Ajudante Albano. A porta dianteira do lado do passageiro estava aberta e Carolina estava deitada de barriga para baixo, nos bancos da frente, ensanguentada e com marcas de cortes nas costas. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado, contudo Carolina não resistiu aos ferimentos e faleceu ainda no local.

Após o crime, Anderson dos Santos Andrade, de 39 anos, fugiu. Ele foi localizado no dia 30 de março no Rio de Janeiro, durante um trabalho de investigação da Polícia Civil, com apoio de vários outros órgãos. Sua prisão foi feita pela Divisão de Capturas, unidade da Polícia Civil localizada na capital paulista.

Em entrevista ao JP no dia 29 de abril, a delegada da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), Olivia dos Santos Fonseca, falou sobre a captura de Anderson. “Em São Paulo, existe o Dope (Departamento de Operações Especiais) e o Setor de Capturas, ambos os órgãos nos auxiliaram. Em determinado momento, a delegada Ivalda Aleixo e a equipe do Dope conseguiu uma pista de que o Anderson estaria na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Uma vez confirmada essa pista, o agressor foi localizado, preso e trazido aqui para Piracicaba. Como esse caso era uma questão de prioridade, ouvimos 11 testemunhas em 14 dias. Solicitamos a elaboração de laudos para a Polícia Científica; dentre eles, um laudo de imagens a fim de se confirmar se era realmente o Anderson (ou não) nas imagens. Embora não tenhamos encontrado a faca que ele utilizou no crime, encontramos a bainha e pedimos um laudo para checar se o tamanho da bainha realmente comportava uma faca de tamanho suficiente para provocar as seis lesões que vitimaram a Carolina. E houve a confirmação.”

Anderson foi transferido várias vezes. Ele passou por Piracicaba, Guareí, Pinheiros e agora está preso em Guarulhos. Quando questionada sobre o comportamento de Anderson, a advogada Jussara Moretti é enfática. “Ele tem uma personalidade voltada para o crime. Já agrediu Carolina e os filhos, foi expulso de duas academias e chegou até a agredir um patrão. É uma pessoa perigosa e que merece ser mantida em cárcere”, finaliza a advogada.

Rafael Fioravanti | [email protected]

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