Caso Carolina: Anderson é transferido à Penitenciária de Guareí

Foto: Alessandro Maschio/JP

Anderson dos Santos Andrade, de 39 anos — acusado do feminicídio à ex-esposa Carolina Dini Jorge, em Piracicaba, no dia 24 de março — foi transferido nesta quarta-feira (04) para a Penitenciária de Guareí, no sul do Estado de SP. Ele teria assinado um documento onde consta que teme por sua vida e pede segurança na cadeia.

A probabilidade é de que Anderson fique na Penitenciária de Guareí até depois de seu julgamento, visto que ele já se encontra em um estabelecimento penitenciário, e não mais em um CDP (Centro de Detenção Provisória). Essas informações foram fornecidas ao JP pela advogada da família de Carolina, Jussara Albino Moretti.

A advogada Jussara Moretti diz, ainda, que a família da vítima está bem na medida do possível e que a preocupação com ele já diminuiu bastante graças à sua prisão. “Os filhos temem pela saída de Anderson. Mas temos confiança de que ele não verá a rua tão cedo, acreditamos que ele será severamente punido.” Ela diz, ainda, que o tio já é o tutor da menor, liminar concedida pela Vara da Infância do município.

“Ele sempre foi violento e abusivo, não só com a esposa, mas também com a mãe e com as amantes. Ele foi expulso de duas academias de jiu-jitsu e até chegou a agredir um ex-patrão”, comenta a advogada. Esse medo, por consequência, também foi passado aos filhos. A advogada diz que os dois têm medo dele. “A filha inclusive tem muito medo dele. Eles estão traumatizados, mas agora estão em segurança com a família materna”, finaliza.

Carolina Dini Jorge tinha 41 anos e era funcionária da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). Ela foi assassinada com seis facadas no dia em que foi pegar a filha na Escola Estadual Honorato Faustino, no bairro São Dimas. Era por volta das 17h do dia 24 de março.

Os guardas civis Tancredo e Luciane foram acionados ao local, pois receberam a denúncia de que algumas pessoas haviam visto um suspeito armado com uma faca no perímetro escolar. Os guardas foram até o local e avistaram um Chevrolet Prisma LTZ, de cor cinza, estacionado na altura do numeral 750 da rua Ajudante Albano. Dentro do veículo, Carolina estava deitada de barriga para baixo, nos bancos da frente, ensanguentada e com perfurações nas costas.

O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) chegou a ser acionado ao local, porém Carolina já estava em óbito dentro do veículo. Sua morte foi atestada pelo médico Rodrigo Zabaglia.

Após o crime, Anderson dos Santos Andrade fugiu. Ele foi localizado no dia 30 de março no Rio de Janeiro, durante um trabalho de investigação da Polícia Civil, com apoio de vários outros órgãos. Sua prisão foi feita pela Divisão de Capturas, unidade da Polícia Civil localizada na capital paulista.

Em entrevista ao JP no dia 29 de abril, a delegada da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), Olivia dos Santos Fonseca, falou sobre a captura de Anderson. “Tomamos conhecimento do feminicídio logo que ele ocorreu. Nos deslocamos de imediato até o local do crime, acionamos a equipe pericial, reunimos todos os elementos de prova e voltamos até a delegacia, onde fizemos contato com o Ministério Público. Foi feita uma representação pela prisão temporária dele, o juiz concordou e deferiu o mandado de prisão ainda no mesmo dia. Na sequência, emitimos um alerta para a Polícia Rodoviária Federal, para a Polícia Federal e para a Polícia Militar. A partir daí, continuamos com os atos de investigação de polícia judiciária a fim de localizá-lo. Em São Paulo, existe o Dope (Departamento de Operações Especiais) e o Setor de Capturas, ambos nos auxiliaram. Em determinado momento, a delegada Ivalda Aleixo e a equipe do Dope conseguiu uma pista de que o Anderson estaria na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Uma vez confirmada essa pista, o agressor foi localizado, preso e trazido aqui para Piracicaba. Primeiramente tínhamos uma prisão temporária de 30 dias, o que significa que tínhamos 30 dias para terminar o inquérito policial. O que poderíamos fazer? Ou terminávamos o inquérito nesses 30 dias e pedíamos a prisão preventiva ou pedíamos uma prorrogação por mais 30 dias. Como esse caso era uma questão de prioridade, ouvimos 11 testemunhas em 14 dias. Solicitamos a elaboração de laudos para a Polícia Científica, dentre eles um laudo de imagens a fim de se confirmar se era realmente o Anderson (ou não) nas imagens. Embora não tenhamos encontrado a faca que ele utilizou no crime, encontramos a bainha e pedimos um laudo para checar se o tamanho da bainha realmente comportava uma faca de tamanho suficiente para provocar as seis lesões que vitimaram a Carolina. E houve a confirmação. No dia 14 de março, relatei o inquérito policial e pedi a prisão preventiva para o juiz. O Ministério Público acolheu meu pedido de prisão preventiva. Agora ele aguardará julgamento e será submetido a um júri popular.”

Rafael Fioravanti | [email protected]

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