Catástrofes

“Toda a natureza é ente que ignoras, / Todo o acaso direção que não podes ver. / Toda discórdia, harmonia que não entendes, / todo mal parcial, bem universal”. (Pope)

Toda vez que há uma catástrofe produzida pela natureza, muitos imitando os profetas bíblicos culpam as maldades dos homens, merecedoras dos castigos divinos.



É, de fato, tentador relacionar grandes cataclismos como sinais do que nos espera num futuro incerto, pois, somos levados a acreditar num desastre previamente anunciado pela nossa civilização, que a se desenvolver com enorme vigor material, mas sem o equivalente na esfera espiritual, produz um desequilíbrio cada vez maior.

Progredir é a palavra de ordem e o desejo de todos. Como entender essa palavra?

A história da humanidade relata que houve um avanço tecnológico incessante. Para tanto foi e é necessário um consumo cada vez maior das riquezas naturais, poluição sempre mais ameaçadora e aspirações ilimitadas de maior conforto a qualquer custo. A desintegração progressiva da natureza é inerente ao modo de produção atual.

A Bíblia narra castigos terríveis contra aqueles que viviam em pecado. A expulsão de Adão e Eva do Éden, o dilúvio, o fogo destruidor contra Sodoma e Gomorra, o cativeiro da Babilônia, entre outros, são exemplos de pesadas punições atribuídas à ira do criador, contra sua criatura pecadora.

Atualmente atribui-se às agressões da tecnologia humana os castigos da natureza, cada vez mais frequentes.

O progressivo avanço do aumento populacional e do consumo de bens naturais ocasiona impactos ambientais capazes de ameaçar nossa sobrevivência no planeta. A devastação das florestas ricas em biodiversidades e, a provocar erosão, empobrecimento do solo, assoreamento dos rios, diminuição das chuvas, elevação da temperatura e proliferação de pragas e doenças, é, sem dúvida, uma ameaça apocalíptica. O que dizer, então, da poluição do solo, do ar, das águas e do avassalador consumo de recursos naturais não renováveis?

Como tudo que existe em nosso universo se transforma e um dia perecerá, o mesmo acontecerá com nosso planeta. Isso, não nos dá o direito de apressar sua destruição, como, igualmente, devemos estar cientes de que catástrofes provocadas pela natureza estão, ao menos até o momento, fora de nosso alcance para evitá-las.

Nossa crosta terrestre é constituída por 12 placas tectônicas que ficam literalmente boiando sobre o magma pastoso. Elas estão em contínuo movimento e, ao se esbarrarem, provocam enrugamentos (cadeias de montanhas), além de abalos sísmicos (terremotos) resultantes das vibrações geradas pela movimentação das placas tectônica. Os tsunamis são ondas gigantescas originadas dos maremotos (terremotos no leito dos oceanos).

Mais frequentes e causando maiores estragos e com maior número de vítimas há os tufões, também conhecidos como tornados ou furacões, além das chuvaradas causadoras de trágicas enchentes. Até agora, por estar o Brasil no centro de uma placa tectônica, estivemos a salvo dos terremotos e dos vulcões.

Como veem mesmo com toda nossa empáfia, somos impotentes ante as forças da natureza e, só nos resta crer como Pope que todo mal parcial é um bem universal, um necessário reajustamento. Será que o coronavírus veio para um reajuste geral?