Vaso de bronze foi furtado de sepultara adquirida em 1944 (Foto: Claudinho Coradini/JP)
Vaso de bronze foi furtado de sepultara adquirida em 1944 (Foto: Claudinho Coradini/JP)

O furto de objetos usados para adornar túmulos no Cemitério da Saudade em Piracicaba tem preocupado as famílias vítimas, que cobram da administração municipal medidas para evitar o crime. Elas reclamam que, além da dor de perder um ente querido, têm de enfrentar a situação de desrespeito à memória dos mortos.

Esse é o sentimento da família da dona de casa Sônia Maria Lopes Zem. Um ano após enterrar a neta de oito anos no jazigo da família, localizado na principal rua do cemitério, ela foi informada pela pessoa contratada para fazer a limpeza, que um vaso de bronze havia sido furtado. “Nem tive condições de ir lá ver pessoalmente”, contou emocionada. A farmacêutica Paula Fernanda Zem, filha de Sônia, mostrou ontem o dano causado na sepultura adquirida pela avó – Antônia Ester Lopes – em 1944.

Ela disse que a família mantém o túmulo limpo e com a aproximação do aniversário de um ano da morte da sobrinha Clara, que morreu vítima de câncer, o cuidado foi maior. “A moça responsável pela limpeza ligou para minha mãe contando que haviam furtado o vaso, e contou que no dia anterior ele estava lá”, lembrou.

Paula disse que procurou a administração do cemitério, que a aconselhou a fazer a reclamação junto à Sedema (Secretaria de Defesa do Meio Ambiente), responsável pelos cemitérios municipais.

“Eles (Sedema) nos orientaram a registrar um B.O (Boletim de Ocorrência), procurar um advogado e depois ir até a Cemel (Central de Monitoramento Eletrônico) solicitar as imagens da câmera de monitoramento. Achei um absurdo isso”, afirmou, acrescentando que com o dinheiro que gastaria com advogado, poderia substituir o vaso furtado. A família questiona a apatia da prefeitura em investigar o furto.

Situação semelhante foi vivida pela dona de casa Maria Conceição Rodrigues Chaddad. Ela contou que a pessoa que faz a manutenção da sepultura da família encontrou o local com a placa de identificação do seu marido, morto há oito meses, quebrada. “Essa pessoa me disse que outras cinco sepulturas vizinhas estavam com sinais de vandalismo”, contou. “Isso é uma coisa muito triste para Piracicaba, algo precisa ser feito”, lamentou.

OUTRO LADO

Por meio da assessoria de imprensa, a administração do Cemitério da Saudade informou que há um funcionário trabalhando diariamente no período noturno das 18h às 6hs e que não é possível entrar após o fechamento dos portões. Eles ainda informam que há concertina (rede de arame farpado) instalada nos muros e câmeras de segurança, uma das medidas tomadas pela Sedema para minimizar a ocorrências de furtos.

A administração orienta as pessoas que foram prejudicadas a registrar um Boletim de Ocorrência para formalizar a denúncia.

“O Boletim de Ocorrência deverá ser feito junto à Delegacia de Polícia Civil do Estado de São Paulo mais próxima do local onde foi realizado o furto. Em seguida, o concessionário e/ou responsável deverá entregar uma cópia do B.O. com requerimento a ser protocolado para que a administração possa tomar as devidas providências. A Guarda Civil de Piracicaba faz rondas constantes no local e a Administração está enviando novo ofício à Guarda Municipal e a Polícia Militar solicitando reforço e intensificação na ronda”, informou em nota.

Beto Silva

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