Capivaras são hospedeiras do carrapato-estrela Foto: Claudinho Coradini/JP

Em 2020, Piracicaba tem duas mortes confirmadas e uma em investigação pela febre maculosa, segundo a SMS (Secretaria Municipal de Saúde). O óbito em investigação é o mesmo informado pelo Jornal de Piracicaba em 24 de setembro, do assistente social aposentado Antonio Carlos, conhecido como Totó Danelon, que morreu no dia 22, aos 70 anos, com suspeita da doença. Nesse intervalo de tempo, mais uma pessoa perdeu a vida por causa da febre maculosa na cidade.

Segundo a SMS, o caso que continua em investigação foi atendido pelo Hospital Unimed e o prazo de conclusão é de 60 dias a partir do registro da suspeita. O Instituto Adolfo Lutz faz a análise.

Neste ano, de janeiro a setembro, a cidade registrou quatro casos. Em 2019, no mesmo período, foram oito casos e três óbitos.
A pasta lembra que a febre maculosa, sem tratamento adequado, tem uma alta letalidade, podendo chegar a 85%.

Piracicaba é uma região endêmica para a febre maculosa por conta das capivaras que vivem nas matas ciliares – sendo esses lugares considerados de risco para contrair a doença – especialmente as margens do Rio Piracicaba.
A Prefeitura informou que sinaliza essas áreas para que a população tome ciência do risco e que os profissionais das UPAs são treinados para questionar os pacientes sobre os locais que estiveram para realizar o diagnóstico da doença.

CUIDADOS E SINTOMAS
O recomendado é evitar os locais considerados de risco e usar roupas claros para facilitar a identificação do carrapato-estrela, que transmite a febre maculosa, e sempre verificar se ele não está preso aos tecidos. Caso precise retirá-lo, deve fazê-lo sem usar as unhas e com auxílio de uma pinça para evitar o esmagamento.

Se a pessoa ter febre até 14 dias após a retirada do carrapato ou de ter frequentado locais de risco, deve procurar o serviço de saúde e relatar o ocorrido para que seja indicada a antibioticoterapia.

Os sintomas da doença são febre acima de 38,5º C e calafrios, de início súbito; dor de cabeça intensa; náuseas e vômitos; diarreia e dor abdominal; dor muscular constante; e pode ocorrer exantema (vermelhidão) nas palmas das mãos e sola dos pés. Nos casos graves, paralisia dos membros, das pernas e até os pulmões, causando parada respiratória, e gangrena em dedos e orelhas.

CAPIVARAS
As capivaras são hospedeiras do carrapato-estrela. Sendo animais silvestres em seu habitat natural, são protegidas por lei. De acordo com o pesquisador especialista em diagnósticos e controle de vetores da Esalq/USP, Carlos Alberto Perez, o campus tem feito vários testes com insetos e ácaros predadores “tentando o controle biológico [do carrapato-estrela], mas não temos conseguido resultados satisfatórios”, diz.
De acordo com Perez, o campus mapeia suas dependências e realizada o controle com produtos registrados.

Andressa Mota

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