Pesquisa continua para explicar o que o vírus pode fazer nas células do cérebro. (Foto: Amanda Vieira/JP)

Estudo realizado por pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) aponta que o novo coronavírus é capaz de infectar neurônios humanos. A ideia da pesquisa partiu da curiosidade da equipe em saber se o vírus conseguiria entrar no cérebro humano e a constatação que a norteou foi o fato de os pacientes da covid-19 apresentarem a perda de olfato (anosmia), um sintoma que mostra reação do sistema nervoso à doença, conforme explica o coordenador da pesquisa, Daniel Martins-de-Souza, do Instituto de Biologia da universidade.


A constatação foi feita por meio de experimentações in-vitro, ou seja, em células no laboratório e não em humanos.

“Foi interessante também que, à medida que a gente começou a se engajar na pesquisa, alguns dados começaram a sair – alguns dados clínicos, mostrando que os pacientes, alguns, apresentam sintomas neurológicos e aí então a gente pensou olhar para o potencial de invasão do vírus no neurônio”, conta Martins-de-Souza.

Como a pesquisa foi feita in-vitro, são necessárias análises em pacientes infectados para dizer com certeza se o vírus chega ao cérebro humano do paciente infectado.

O estudo tem o apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e continua nas investigações. Agora para identificar o que o novo coronavírus é capaz de fazer nas células do cérebro.


“A partir daí a gente pode usar esses dados para várias coisas. Para melhor conectar o vírus aos sintomas. Para eventualmente entender, saber, se nós podemos ter dentro dessas moléculas identificadas um alvo para novas drogas. Isso leva um tempo. Desde que essa história toda começou, meu laboratório tem trabalhado 24 horas, 7 dias por semana”, explica o cientista.

Durante o experimento, a equipe constatou que os neurônios apresentam uma proteína que é considerada a porta de entrada do coronavírus nas células. “E não só isso. Quando a gente expõe a célula [ao vírus], a gente vê que a carga viral aumenta ao longo do tempo, então quer dizer que o vírus está realmente entrando nos neurônios in-vitro, isso não é lá no paciente”, lembra Martins-de-Souza.

O laboratório do pesquisador era utilizado, antes da pandemia, para realizar pesquisas a respeito de doenças psiquiátricas. Mas, devido à necessidade de encontrar respostas científicas para conter o novo coronavírus, a equipe se dedica integralmente a ele. “Acho que neste momento o que tem sido interessante de ver na comunidade científica é esse mesmo altruísmo que tem aparecido na sociedade”, avalia Martins-de-Souza.

Andressa Mota

[email protected]

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

sete − 2 =