Cigarros eletrônicos causam mesmos danos que os convencionais, alerta médica

Foto: Divulgação

O que preocupa especialistas é que esses equipamentos ganharam espaço muito rápido, principalmente entre jovens

Atração entre os jovens, por oferecer uma infinidade de sabores e aromas, os cigarros eletrônicos até parecem inofensivos, no entanto, esses vaporizadores, como são chamados, também causam doenças cardiovasculares e não há diferença em risco de infarto e AVC ao fumar um cigarro convencional ou eletrônico, como explica a cardiologista da Santa Casa de Piracicaba, Juliana Previtalli.

De acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer), esses Defs (Dispositivos Eletrônicos para Fumar) não são seguros e possuem substâncias tóxicas além da nicotina. Sendo assim, o cigarro eletrônico também pode causar doenças respiratórias, como o enfisema pulmonar, dermatite e câncer. Ainda seguindo o Instituto, estudos mostram que os níveis de toxicidade podem ser tão prejudiciais quanto os do cigarro tradicional, já que combinam substâncias tóxicas com outras que muitas vezes apenas mascaram os efeitos danosos.

O que tem preocupado os especialistas é que esses Defs ganharam espaço muito rápido principalmente entre os mais jovens, reacendendo o debate sobre o tabagismo. De acordo com a cardiologista Juliana, a nicotina (que está presente seja nos cigarros tradicionais ou eletrônicos e também nos narguilés)é uma droga psicoativa, que provoca dependência no fumante.

“Ao ser inalada, a nicotina produz alterações no Sistema Nervoso Central, modificando o estado emocional e comportamental dos indivíduos, da mesma forma como ocorre com a cocaína, heroína e o álcool. Com o passar do tempo, o fumante passa a ter necessidade de consumir cada vez mais o produto e aumenta também o risco de se desenvolver doenças crônicas não transmissíveis, que podem levar à invalidez e à morte”, ressalta Juliana.

“Quem se torna dependente da nicotina tem duas a quatro vezes mais risco de ter um infarto, duas a quatro vezes mais risco de ter um acidente vascular cerebral; 12 vezes mais risco de ter um enfisema pulmonar e 23 vezes mais de desenvolver câncer de pulmão”, alerta.

Juliana explica ainda que esses dispositivos mais modernos, chamados de quarta geração, conhecidos por Pods (que tem formato de pen drive e são carregados por USB) utilizam sais de nicotina, que foram criados pela indústria para produzir altas concentrações e, assim, gerar maior dependência. 

CAMPANHA
Segundo dados do Vigitel (Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) em 2021, o percentual total de fumantes com 18 anos ou mais no Brasil era de 9,1%. Se formos mais longe, os números assustam e também mostram a eficiência da campanha antitabagismo implantada no País. De acordo com a Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição em 1989, 34,8% da população brasileira acima de 18 anos era fumante.

Uma queda expressiva nesses números foi observada a partir do ano de 2003, quando na Pesquisa Mundial de Saúde, o percentual observado foi de 22,4%. No ano de 2008, segundo a Pesquisa Especial sobre Tabagismo este percentual era de 18,5% e em 2019, o total de adultos fumantes estava em 12,6%.

Segundo Juliana, esses cigarros eletrônicos podem representar uma regressão a todo combate ao fumo realizado nas últimas décadas e que vinham surtindo efeito entre a população.

Beto Silva
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