Cirurgias eletivas não têm data para retomada pelos hospitais

Fator também leva em conta o risco de contágio da doença (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, há cinco meses, as cirurgias eletivas foram suspensas nas redes privada e particular de Piracicaba. A Secretaria de Saúde de Piracicaba informou ontem que o ritmo dos procedimentos está voltando à normalidade gradativamente, conforme os leitos hospitalares vão sendo liberados.

A pasta explicou que o Ministério da Saúde estabeleceu que cada município deveria utilizar sua própria estrutura hospitalar instalada para enfrentar a pandemia, ou seja, os leitos do SUS (Sistema Único de Saúde) de enfermaria e UTI (Unidade de Terapia Intensiva) deveriam estar preparados para receber os casos graves de covid-19.

Segundo a pasta, o mesmo aconteceu com os hospitais privados, seguindo orientação da ANS (Agência Nacional de Saúde ). “Sendo assim, apenas as cirurgias eletivas com prioridade médica tiveram continuidade nesse período, por uma questão de segurança. Foram adiadas as demais, que podiam ser adiadas, a fim de reduzir o risco de contágio pela covid-19 em caso de atendimento cruzado na estrutura hospitalar”, informou a secretaria em nota.

Este entendimento sobre as medidas de segurança foi o dos hospitais conveniados SUS e da própria sociedade. Muitas pessoas que estavam com cirurgias marcadas resolveram esperar um momento mais oportuno, de maior segurança, para realizá-las, conforme informou a secretaria municipal.

A exemplo dos demais hospitais, a Santa Casa de Piracicaba ainda não tem definida a data para a retomada das cirurgias eletivas, aquelas que podem ser postergadas por até um ano sem causar problemas ao paciente.

“O que se sabe até o momento é que as três próximas semanas serão vitais com relação ao comportamento da população e, consequentemente, da doença para a retomada gradativa das eletivas”, disse o diretor técnico da instituição, Ruy Nogueira Costa Filho.

O médico explicou que, em decorrência da pandemia e da necessidade que a doença impôs de direcionar os leitos hospitalares prioritariamente para atendimento de pacientes portadores do novo coronavírus, a Santa Casa tem mantido apenas as cirurgias de urgência desde março.

Nogueira afirmou que, com base nos dados do setor de controladoria hospitalar, no decorrer de 2019, a Instituição realizou, em média, 390 cirurgias eletivas por mês, perfazendo um total de 4.680 procedimentos eletivos no ano passado. A maior parte deles nas áreas de cirurgia geral, ortopedia, ginecologia obstétrica e urologia.

“Com a recomendação do Ministério da Saúde para que hospitais de todo o país reduzissem as eletivas, mantendo apenas os procedimentos de urgência nesta área, a Santa Casa de Piracicaba passou a realizar uma média de 57 cirurgias eletivas ao mês no período de março a agosto deste ano”, disse Nogueira.

Segundo ele, a maioria dos procedimentos de urgência ocorre nas áreas de ortopedia (fraturas graves), cirurgia geral (sobretudo, as oncológicas para tratamento de tumores cancerígenos), neurologia (para drenagem de hematoma e retirada de tumor intracraniano), ginecologia (para execução de mastectomia e quadrantectomia nas mamas) e urologia (para tratamento de câncer, RTU de bexiga ou próstata e litotripsia ureterorreno para implantação de cateter ). O diretor acrescentou que, apesar da atual indefinição, e diante da expectativa de queda dos indicadores covid-19 nas próximas semanas, a tendência é de retomada gradual dos serviços médico-hospitalares.

A Unimed Piracicaba informou que planeja o retorno das cirurgias eletivas para o mês de setembro.

COVID-19 EM PIRACICABA
A Secretaria de Saúde de Piracicaba registrou ontem mais quatro mortes em razão da covid-19. As vítimas são quatro mulheres, de 51, 60, 69 e 85 anos. Com isso o número de óbitos pela doença no município aumentou para 254. Em relação aos infectados, foram mais 115 pessoas nas últimas 24 horas, elevando o número de contaminados para 10.258. Piracicaba ainda registra 8.612 casos recuperados, 1.392 pessoas em tratamento, 923 casos suspeitos e 12.480 casos descartados.

Beto Silva