Ciúme geralmente é fruto de fantasia – parte 1

Foto: Pexels

Hoje vamos falar um pouco sobre um tema recorrente: o ciúme. Para isso vou me valer de uma reflexão da Patrícia Gebrim, escritora e terapeuta. Olhem o que ela nos diz:

“Existe muita coisa escrita sobre esse sentimento chamado ciúme, que tantas vezes se instala entre nós e em quem amamos, roubando de nossos relacionamentos a leveza, a paz e a confiança.

Na maioria dos artigos e livros sobre o assunto, o que se encontra são conclusões mais ou menos parecidas, afirmando, entre outras coisas, que o importante é saber a diferença entre o ciúme considerado ‘normal’ e o ‘patológico’. Bem, vamos dar uma abordagem um pouco diferente ao tema. Não queremos aqui tentar definir o que é ou não ‘normal’.

Normal ou não, sei o que me faz ou não sofrer, e em que intensidade! E se faz sofrer, é sinal de que aquilo está em desequilíbrio. Não são necessários manuais ou testes que me digam que não estou feliz. Se esse sentimento acontece com frequência e ele o faz sofrer, é algo de que você precisa cuidar!

Você é daquelas pessoas que tentam controlar a vida? Ciúme tem a ver, em primeiro lugar, com uma tentativa de se ter controle sobre a vida, visando evitar a dor e o sofrimento. Se nós conseguíssemos confiar em nós mesmos, em nossa capacidade de lidar com o que quer que a vida nos traz, não haveria necessidade de ficar lutando com a vida para que ela não nos fira ou surpreenda.

Por mais que se faça, a vida não é algo que se possa controlar. Por mais que você cerque a pessoa amada de controles, telefonemas em horários específicos, regras, cobranças, ameaças, etc., nada disso lhe dará garantia alguma de seu amor ou fidelidade.

Pense no que acontece nos relacionamentos: parece muito óbvio que se uma pessoa teme algo e tenta controlar o relacionamento o tempo todo, acaba causando um desgaste nessa relação, uma área de desconforto. Isso não seria criado se a pessoa estivesse relaxada, pronta para lidar com o que quer que viesse.

Se não podemos controlar a vida, por outro lado podemos nos tornar maiores e mais fortes para lidar com o que quer que a vida envie em nossa direção. Aqui sim existe sabedoria. Sabedoria de dar o melhor de si ao relacionamento sabendo que, se algo fora do meu controle acontecer, ainda assim se teria uma escolha. A escolha de ficar ou ir, a escolha de simplesmente julgar ou tentar compreender. Sabendo que seremos capazes de lidar com o que quer que aconteça, nos libertamos da necessidade doentia de ter de controlar tudo. Confiamos mais em nós mesmos, e essa é uma chave importante para lidar não só com o ciúme, mas com muitas outras coisas na vida.

Você sabe diferenciar fantasia de realidade? Muitas vezes o ciúme tem a ver com uma dificuldade em ficar em contato com a realidade. Explicando melhor: o ciúme, geralmente, começa como uma fantasia. Fantasiamos que algo esteja acontecendo, e a tal fantasia vai crescendo, e se tornando em um monstro horrendo que passa a nos assombrar. E sentimos tanto medo dessa sombra que esquecemos que fomos nós que a criamos, esquecemos que é só uma fantasia. Passamos a acreditar que é real.

Mas de onde vem essa fantasia, afinal? E essa é uma pergunta muito importante. Por que criamos esse monstro horrível que tanto nos atormenta? Por que não criamos um anjo protetor e amigo? Por que criamos algo que nos faz sofrer? Em geral a criação dessa fantasia está associada a uma autoestima rebaixada, ou a um desejo inconsciente de punição em função de algum tipo de culpa”. (continua)

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