Codepac decide se Barraco do frei Sigrist vai ser tombado

Frei Sigrist foi guardião do local por 13 anos (Foto: Claudinho Coradini/JP)

No próximo mês de agosto, o Codepac (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural) votará se o barro onde viveu o frei Sigrist, no Jardim Glória, será enfim tombado. O IHGP (Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba), que está sem representatividade no conselho (o integrante do instituto se ausentou para poder ser candidato nas Eleições 2020), acompanha o trâmite, especialmente o historiador e membro titular Claudinei Pollesel, o elo ente família do franciscano e o Poder Público.

“Acompanho o processo, nada impede a questão do tombamento, só precisa dar quorum, que os membros do conselho participem da reunião”, ele relata.

O frei Francisco Erasmo Sigrist chegou a Piracicabaa em 1985, junto a outros frades capuchinhos para viver na comunidade onde hoje é o Jardim Glória. O barraco onde se instalaram se transforma na “Fraternidade Nossa Senhora da Glória”, após algumas adaptações mínimas. Esta fraternidade franciscana existirá neste barraco até o ano 2000. Frei Sigrist permaneceu ali como guardião por 13 anos, até sua morte em 18 de outubro de 1998.

O processo para tombamento foi aberto em 2002 pela comunidade, coordenado pela ex-vereadora Márcia Pacheco. “Não finalizou e não foi tomado. À época, aquele pedaço de terra não tinha regularização fundiária, agora a Prefeitura já regularizou a área e todas as casas do bairro receberam escrituras, consequentemente, o barraco foi regularizo, está num terreno do Poder Público e apto a ser tombado. Em 2010, o barraco estava deteriorado, mas foi restaurado”, explica o historiador.

A regularização aconteceu há dois meses, quando cada proprietário recebeu a escritura. “O barraco foi incorporado ao patrimônio da Prefeitura, que é, tecnicamente, a dona dele”, revela Pollesel. “Em 2018, nos 20 anos de morte do frei, começamos a movimentar esta questão, não temos um plano definido, o que fizemos foi a organização e limpeza. Existe hoje uma moradora do bairro, uma professora, Débora Hase, que é a responsável informal pela conservação e abertura, quando alguém quer visitar”.

Num segundo momento, após o tombamento, a ideia é criar uma Associação dos Amigos do Barraco, “para planejar e pensar o espaço dentro do roteiro turístico da cidade”, ele completa.

O barraco sempre esteve presente no inconsciente da cidade e recebeu muitas visitas, apenas um elemento de um conjunto de informações históricas, de estética única, tanto o barraco como seu entorno, explica Pollesel. “Não é ilhado, está dentro de uma comunidade, o Jardim Glória, hoje totalmente repaginado pela ação do frei. Ao lado, tem a capela de São Francisco e Santa Clara, que também foi construída pelo religioso, inteira decorada com moisaicos, criados pela artista plástica de Piracicaba, Virgínia Welsh. Um painel de 40 metros de mosaico. Existem ali, ainda, dezenas de palmeiras imperiais, que o frei cultivou desde a semente e plantou”.

Erick Tedesco