Coletivo engaja jovens de Piracicaba desde 2015 | Foto: Arquivo Pessoal

Engajar jovens para interiorizar a resistência negra e ter voz frente ao racismo é algumas das muitas ideias e lutas do Coletivo Prunegro, que desde 2015 está do lado da juventude negra de Piracicaba para a construção de uma sociedade plural e antirracista.

Amanda Nainá dos Santos, uma das fundadoras do coletivo, encara o Prunegro como uma extensão dos movimentos e entidades negras da cidade, “enquanto continuidade da crítica no que tange os conflitos e tensões raciais no Brasil”, ela relata.

O engajamento é muito bem delineado, como mostra Amanda. “Surgiu da necessidade de organizar e articulação e formação de lideranças políticas de juventudes negras de Piracicaba, para tratar das questões raciais, evidenciando esse racismo nada velado, uma herança de um sistema escravagista, que se propaga nas relações sociais, políticas e econômicas, ais quais refletem na população negra brasileira em forma de desigualdades e violências”.

Um recorte do texto de Moniz Sodré escancara a importância do coletivo à sociedade e aos jovens. “Fala de pertencer a um grupo, em que cada ser singular perfaz sua individualidade e, a partir da pluralidade instituída em cada um dos encontros, move-se o desejo ancestral de ser continuidade de luta, de conhecer nossos antepassados, de ter um espaço de voz e de partilha”.

Hoje o coletivo é formado por sete pessoas, número menor do que dos primórdios, isso antes da pandemia. As reuniões agora são virtuais. “Focamos muito em leituras e discussões sobre diversas temáticas”. O Prunegro começou com encontros no Sesc Piracicaba e depois migrou para a Casa do Hip Hop.

O coletivo reflete sobre a dia da Consciência Negra. “A importância da data, de se ter o Dia, para nós enquanto coletivo, é o pensar que enquanto corpos africanos na diáspora brasileira, somos continuidade de luta. Entendemo-nos como extensão, de que sempre fomos resistência”.

A data em si, completa Amanda, é de referência à ancestralidade, à nossa identidade, memória espiritual e cultural negra”. A arquiteta também menciona o Ubuntu (filosofia africana que trata da importância das alianças e do relacionamento das pessoas, umas com as outras) para falar sobre o Dia da Consciência Negra.

“Eu só existo porque existimos, porque vieram outros nessa luta antes de nós e nos impulsiona para um outro amanhã. A educação antirracista é fundamental para pensar estrutura social, por isso que promover a formação da juventude preta e importante para que haja não só resgate histórico, mas também para que seja possível, frente ao epistemicidio, dar autonomia e retomar os espaços que são negados à nossa população”, complementa.

Erick Tedesco ([email protected])

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