Coluna – Um dia de tristeza para o jornalismo esportivo

Coluna – Um dia de tristeza para o jornalismo esportivo
Fonte: Agência Brasil

Colunista às vezes tem dificuldade para encontrar um tema sobre o qual escrever. Seja por falta de argumento num dia, seja pela diversidade de muitos, em outro. Mas hoje a história é bem diferente e triste. O assunto é um só, mas dizer o quê? O jornalista Rodrigo Rodrigues, que trabalhava no Esporte da Globo, nos deixou na manhã desta terça-feira, aos 45 anos, vítima de complicações na saúde, após contrair covid-19. Era um amigo de todos, o “gente boa”, sorriso sempre aberto, levando alegria a quem o cercava e puxando um bom papo. Era músico, e virou jornalista. Ou já era um jornalista, quando se descobriu para a música, vai saber. O fato é que, desde jovem, demonstrava que seria um cara de sucesso diante de uma câmera.

Conheci o Rodrigo em 1999, quando ele era apresentador do Canal Universitário, a UTV. Ele fazia um programa chamado “Caderno U’, com a Ana Paula Campos, atualmente jornalista da TV Globo. A gravação era na Universidade Gama Filho, no bairro da Piedade, zona norte do Rio de Janeiro. Fui lá participar, a convite da Ana Paula, que era minha amiga, e conheci o Rodrigo. Totalmente à vontade, já mostrando o que o futuro lhe reservava.

Entre idas e vindas, nos cruzamos algumas vezes. Curiosamente, nunca trabalhamos juntos, mas nos vimos em situações bem distintas. Na verdade, ele já tinha, até, estado comigo anteriormente, eu é que não lembrava. Mas o Rodrigo teve a oportunidade de contar essa história bem curiosa na TV Brasil, em setembro de 2018, quando participou  do programa No Mundo da Bola, no estúdio de São Paulo, onde ele morava.

 

Em janeiro deste ano, no CFZ, eu estava lá entrevistando o Zico, quando o Rodrigo apareceu. Foi lá apenas passear, conversar, ver o amigo, que também era o grande ídolo. Zico o recebia de braços abertos, porque era assim que o Rodrigo sempre merecia ser recebido. E porque era assim que ele chegava nos lugares, de braços e coração abertos.

Rodrigo ganhou espaço nos canais de tevê em que trabalhou por merecimento, pela qualidade indiscutível que tinha, pelo desprendimento, pela criatividade, pelo conhecimento de onde podia ir e do quanto podia arriscar. Vou roubar uma fala do André Rizek, dita hoje no SporTV. “Rodrigo era uma unanimidade”. Cativante.

Com apenas 45 anos, Rodrigo Rodrigues deixa uma marca no jornalismo esportivo. Uma prova do quanto ele era importante para nós, mais velhos, como para os mais novos que o tinham como uma referência.

Por Sergio du Bocage, apresentador do programa No Mundo da Bola, da TV Brasil

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