Com apadrinhamento afetivo, jovem de 17 anos se prepara para deixar abrigo

Segundo Janaína, mesmo durante a pandemia, 11 crianças e adolescentes foram apadrinhados | Foto: Amanda Vieira/JP

Enfrentar a vida adulta não é fácil, ainda mais quando é hora de deixar uma instituição de acolhimento ao completar 18 anos. Mas por conta do projeto Apadrinhamento Afetivo da Casa do Bom Menino, um jovem de 17 anos, que se muda para a própria kitnet no começo do mês que vem, tem recebido apoio, conselhos e confiança de um casal de padrinhos.


O casal Alexandre Luis e Eduardo de Castro conheceu o Apadrinhamento Afetivo e o jovem – que não será identificado por ser menor de idade e estar na instituição de acolhimento – no começo da quarentena por meio de um projeto solidário de confecção de máscaras.

Ao conhecer a história do jovem, o casal se interessou em poder ajudá-lo na transição para a vida adulta. “Eu me identifiquei muito com ele”, conta Alexandre. “Falei para ele quando a gente se conheceu, ‘o tempo vai voar, você vai ter seu espaço, sua vida, e a gente vai estar aqui para ajudar nesses passos’. […] Por dentro ainda é uma criança, com todos os medos, aflições e ansiedade. A gente tenta amenizar isso para ele, fazendo-o entender que tem um grupo de pessoas que o apoia lá dentro e aqui fora também”.

A Casa do Bom Menino realiza o Apadrinhamento Afetivo de crianças e adolescentes de 6 a 17 anos e 11 meses desde 2009. Neste ano, pelo financiamento do Fumdeca (Fundo Municipal de Defesa da Criança e Adolescente), uma equipe se dedica exclusivamente ao projeto.
Mesmo em meio à pandemia, segundo conta a coordenadora Janaína Nunes Maximiliano de Lima, neste ano seis crianças e adolescentes foram apadrinhados no primeiro semestre e, no segundo, sete estão em processo de pareamento com os padrinhos.

A professora Paula Brandão de Oliveira Souza e o marido são padrinhos de uma menina de 13 anos há 1 ano e 4 meses. No começo deste ano, passaram a apadrinhar também o irmão dela, de 11 anos. Paula conta que o projeto é transformador. “A gente acha que só a gente vai fazer bem na vida deles, mas não é. Eles fazem muito bem pra gente, a gente aprende muito com eles também”, comenta.

LEIA MAIS:


Para incentivar outras pessoas a conhecerem a forma de voluntariado do projeto, Paula criou uma conta no Instagram, @amedegraca. “No começo é bem desafiador a aproximação com a criança, mas aos poucos vai se aproximando, conhecendo a gente, pegando confiança. E hoje é muito bom. A gente se fala pelo whatsapp, telefone. É bem legal a referência que a gente está sendo para [eles]”, relata a professora.

Podem ser um padrinhos afetivo pessoas maiores de 18 anos, que não estejam cadastrados na Vara da Criança e Adolescente para adoção e tenham diferença de 16 anos do apadrinhado.


“O padrinho vai ser uma referência afetiva para a criança e adolescente. Então é uma convivência familiar dessa criança além do abrigo. Com o padrinho, essa criança vai ter convivência comunitária, convivência familiar que muitas vezes aqui dentro elas não têm. São crianças com mais dificuldades de adoção”, explica Janaína.

Para se inscrever, basta acessar o site http://www.cdbm.org.br/apadrinhamento-afetivo/. Depois o voluntário passa por um processo de formação e pareamento com a criança e adolescente para, então, fazer parte da vida deles. Tanto o padrinho quanto a criança conhecem o perfil do outro antes do primeiro contato para que não ocorram rupturas posteriores.

Andressa Mota

[email protected]

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite o seu comentário!
Por favor, entre com seu nome

18 − doze =