Comentários da Semana

Não da que passou nem da que virá. De tantas delas. Repito Machado já que não disponho (nem tenho a pretensão) da grandeza de estilo nem de sua versatilidade para abordar o cotidiano. Posso, no entanto, pelo respeito que devoto ao maior escritor brasileiro, render-lhe homenagem. Se tivesse tempo, ainda como ele, sairia em busca dos leitores, em especial aos que me escrevem, tamanha a gratidão por tanta generosidade. Professor por largos anos, por vezes, como todos, sonhava com alguma recompensa, mesmo sabendo que, em Educação, o galardão é tardio. Da criança, não demora tanto. Um sorriso, um abraço, um aceno na distância revela o prazer de estar a seu lado, aprendendo.

Adolescentes, estes, em especial, depois de tantas transformações sociais, são rebeldes e contrários a tudo que possa questionar critérios escolhidos para seu modo de encarar a vida. Na adolescência, raras exceções, falta-lhes sentido. O adolescente vive momento de conflitos internos, desafios e excitação, angústia e ansiedade, procurando, de alguma maneira, encontrar no adulto razão de culpa por momentos de instabilidade capazes de suscitar questionamentos.

Digo-lhes que tenho vivido, graças às inúmeras manifestações de ex-alunos das mais diversas escolas por onde passei e de diversos leitores de diferentes lugares, semanas memoráveis. Recebo, deles e de outros tantos leitores, demonstrações de apreço ao que escrevo. Nesta hora, louvo as redes sociais que me trazem, na velhice, o galardão do reconhecimento.

Domingo passado, por exemplo, tão logo o JP alcançava leitores, chegou a mim, como tem sido sempre, mensagens sobre o texto escrito. Há sempre uma ou algumas delas que oferecem a bênção do dia. Não vou aqui revelar isso, mas é de bom tom fazer, vez por outra, preito de gratidão. Escrever, todos sabem, não é exercício fácil. Em especial tirar do cotidiano, em crônica, o que se nos apresenta. É preciso atenção e cuidado na observação e na abordagem.

Heloisa Vilhena de Araújo, diplomata e intelectual notável, jamais deixa de celebrar um texto meu com abalizada competência, orientando-me para leituras, indicando-me caminhos e sugerindo sendas literárias a percorrer. Em artigo anterior, análise objetiva diz que o título evoca, nela, o verde, em dois autores: “Em Guimarães Rosa. Diadorim, amor de Riobaldo, tinha olhos verdes; em Mestre Eckhart. Ele diz que na alma há uma potência, fora do tempo, que sai de si e permanece em si, e que verdeja e floresce. Muito evocativo o artigo – o verde da vida e da esperança”. De domingo passado, a mesma leitora comenta serem “as despedidas sempre, inevitavelmente, muito difíceis, apesar de sabermos que os que se foram estão no seio de Deus. Dá satisfação, entretanto, ver fechar-se, harmoniosamente, uma vida vivida tão plena e criativamente como a de Carlos Colabone. Que mais podemos pedir? Obrigada por texto tão bonito”.

Contador de histórias que sou, vou-me aventurando por profissão, por prazer, por estímulo de tantos e tão bons leitores. Registro, aqui, a presença de médico neurologista notável (sorte a minha que tenho, próximo, alguns dos bons neurologistas do país, ex-alunos meus). Dr. Ary Marconi Júnior, vez por outra, me envia mensagens a iluminar-me o dia.

“Que delícia ler seus textos nessas difíceis manhãs de domingo! Volto ao passado e, por alguns minutos, me sinto muito feliz, com sopros da adolescência. Não sei passar esse sentimento para palavras, mas é algo transcendental e iluminado. Você, querido mestre, traz a emoção e o brilho de seu olhar em todas as suas crônicas. Espero, e peço a Deus, que seus dias sejam tão felizes quanto esses que me proporciona. Receba minha mais pura e calorosa reverência.”

Na expectativa de nova semana, agradeço.

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