Comerciantes relatam prejuízos com chuva de quarta-feira em Piracicaba

Comerciantes do centro lavaram suas lojas após inundação. (Crédito: Amanda Vieira/JP)

Desespero, tristeza e vontade de superar os prejuízos causados pela enchente eram a mescla de sentimentos dos comerciantes da avenida Armando de Salles Oliveira ontem. A via foi um dos pontos de maior alagamento pela chuva de quarta-feira (19). Em diversos locais daquela região, o asfalto chegou a afundar, as calçadas foram prejudicadas, carros ficaram ilhados e tampas de poços de visita foram arrancados pela água.


Com os alagamentos, que causaram um longo congestionamento no trânsito das avenidas 31 de Março e Armando de Salles Oliveira, o ribeirão Itapeva lembrou a população da força de suas águas.


Os comerciantes ainda se preparam para mais chuva. Para esta sexta-feira (21), segundo site Climatempo, a previsão é de 25 mm, igual à média prevista para o final de semana.

Comerciante Érica tenta retomar as vendas após prejuízos. (Crédito: Amanda Vieira/JP)


Há dois anos, o sonho de Érica Urbano, proprietária de uma marmitaria, era ter um ponto comercial. O negócio cresceu e há um mês ela o montou na avenida Armando de Salles Oliveira.


Em seu estabelecimento, o que mais Érica perdeu com a chuva foram as embalagens de papelão. Ela relata que não quis contabilizar o prejuízo. “Você ver em menos de um mês o seu sonho debaixo d’água foi muito triste. […] Quando o ônibus passava, fazia onda, aí parecia rio mesmo”, lembra. “Na hora da chuva todo mundo fechou as portas e ficou dentro do estabelecimento”, conta Érica.


Alaíde Martins, proprietária de um restaurante em frente ao Terminal Rodoviário Intermunicipal, onde a água atingiu as plataformas de embarque de passageiros, começou a limpeza do estabelecimento às 6h30 de ontem. A expectativa era deixar o local limpo até a noite.


“Encheu tudo de água, derrubou tudo, os freezers, perdeu um monte de coisa, embalagem, mercadoria. [É uma] derrota, porque é uma coisa que a gente não tem o que fazer. Sempre a mesma coisa”, recorda. “A porta partiu no meio, a outra de lá entortou tudo, teve que arrumar”, completa Alaíde.


Durante a chuva, o sentimento da cabeleireira Andreia Aparecida do Nascimento como mãe era de impotência. Sua filha estava sozinha no salão quando a água começou a entrar. Andreia acompanhava a situação por meio de vídeos. “Não teve como eu vir resgatar ela até o momento que abaixou a água. […] Eu vendo os vídeos pelo WhatsApp, não tinha o que fazer, foi horrível”, relata Andreia.

Andressa Mota

[email protected]