Comércio: “Muitos vão reabrir as portas, mas nem todos vão continuar”

O comércio após a pandemia ainda é uma incógnita. (Foto: Amanda Vieira/JP)

A pandemia da covid-19 tem deixado grande parte do comércio de Piracicaba, do Brasil e de todo o planeta fechados, afetando diretamente a vida de diversos empregados e empregadores, que têm ficado sem uma fonte de renda para se sustentarem durante este tempo de incertezas do comércio. Uma solução encontrada pelo Governo Federal estabeleceu uma medida provisória que permite a redução da carga horária, de salário e a suspensão do contrato de trabalho por três meses para manter os empregos dos funcionários.

“É uma maneira para as empresas que ainda têm condições de segurar os funcionários, utilizar para não deixar tantos colaboradores desempregados no País”, disse Reinaldo Pousa, presidente da CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas), que faz um adento, principalmente, para aqueles que ficarão sem nenhum amparo durante o isolamento social.

“O maior problema são as centenas de micro e pequeno empresários, entre eles lojistas, comerciantes e varejistas que estão ficando sem emprego e nenhum amparo. É a nossa maior preocupação, a soma disso é uma porcentagem grande, que detém aproximadamente 60% do emprego no Brasil e está causando muito desemprego”, explicou Pousa.

Ele disse que a CDL também está preocupada em relação a renegociação das dívidas, já que do jeito que estão sendo acordadas, o trabalhador terá que pagar mais no fim do ano. “Pouco está sendo feito para eles, primeiro viemos de uma crise desde 2015, em que a nossa esperança era chegar em 2020 e a s coisas se estabilizarem. Alguns estavam devendo imposto ou com algum tipo de inadimplência, e com isso você não tem acesso a esse empréstimo. Na realidade, a suspensão das contas para o fim do ano apenas adia o problema, já que o trabalhador fica isento de pagar agora, mas no último trimestre do ano terá que pagar o dobro e ele não ganhará o dobro no fim do ano”, explica.

O presidente da Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba), Luís Carlos Furtuoso, também compartilha que a medida provisória pode ajudar o trabalhador neste primeiro momento. “Estamos com boa parte da atividade econômica paralisada. As empresas estão acostumadas com uma realidade, tinham quadro de funcionários e uma estrutura dentro de um movimento que estavam acostumadas a ter. A partir do momento que paralisa isso por um longo período, você deixa de ter receitas e compromissos e não têm mais caixa para suportar toda a estrutura que antes tinha faturamento”, detalhou Furtuoso.

Assim como o presidente da CDL, Furtuoso também se preocupa com os comerciantes que ficaram sem alternativas na pandemia, sendo obrigados a fechar as portas e estão sem a certeza de que vão reabrir. “Muitos vão, porém nem todos vão conseguir se manter ao longo do tempo, já que terão queda de faturamento, não sabendo se terão continuidade. O impacto será grande e o nosso grande objetivo é de que esse impacto seja o menor possível. Não temos detalhes de como estão as empresas, já que cada uma tem sua particularidade, mas temos que ter um cuidado para achar o ponto de equilíbrio, já que a vida profissional interfere na pessoal e vice-versa”, disse o presidente da Acipi.

Mauro Adamoli

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