Com poucos sinais de melhora na economia, consumidor opta por produtos essenciais (Foto: Claudinho Coradini/JP)

O Indicador Movimento do Comércio, que acompanha o desempenho das vendas no varejo em todo o Brasil, recuou 0,5% em abril deste ano contra o último mês de março, já descontados os efeitos sazonais, de acordo com dados apurados pela Boa Vista. Na avaliação acumulada em 12 meses, o indicador vem mantendo o ritmo observado desde o início do ano e subiu 1,5% em abril. O presidente da Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba), Luiz Carlos Furtuoso, avalia o momento como de insegurança e ansiedade.

Os últimos resultados do indicador revelam a continuidade de um movimento lento de recuperação do comércio. Fatores como alto nível de desocupação e subutilização da mão de obra, queda da confiança e tímido crescimento da atividade econômica continuam sendo os principais entraves para uma evolução mais robusta do setor.

Com poucos sinais de melhora no cenário econômico, espera-se que o varejo siga um ritmo gradual em 2019.

Na análise mensal, dentre os principais setores, o setor de “Móveis e Eletrodomésticos” apresentou queda de 4,3% em abril, descontados os efeitos sazonais. Nos dados sem ajuste sazonal, o acumulado em 12 meses avançou 1%. A categoria de “Tecidos, Vestuários e Calçados” cresceu 0,9% no mês. Nos dados acumulados em 12 meses houve queda de 0,6%.

Os dois setores, mais dependentes da propensão ao endividamento dos consumidores, são os que mais sofrem com a queda da confiança e o fraco crescimento da renda, direcionada aos itens de primeira necessidade. A atividade do setor de “Supermercados, Alimentos e Bebidas” registrou aumento de 0,3%.

EXPECTATIVA

Para o presidente da Acipi, o comércio – assim como outros setores econômicos – está em compasso de espera devido a expectativa da aprovação da Reforma da Previdência.

Segundo ele, o consumidor só está adquirindo produtos essenciais como alimentação e itens de higiene pessoal. “O que ele (consumidor) puder postergar ele vai adiar, só está adquirindo o que realmente precisa”, afirmou citando que, com isso, há setores que cresceram outros se mantiveram e outros apresentaram queda.

Furtuoso vê um cenário perigoso caso a reforma não seja aprovada da maneira como ela está. “É um momento de muita insegurança e ansiedade e se não mudar, vai haver crise”, avaliou.

Beto Silva

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