Como começar o ano com as contas em dia e fugir do vermelho

Para ajudar os leitores, o JP conversou com especialistas em finanças que deram dicas importantes. (Foto: Claudinho Coradini/JP)

O primeiro mês do ano é sinônimo de férias para muitas famílias, mas também de muita dor de cabeça para outras. É que além das contas que precisam ser pagas todo santo mês, em janeiro surgem despesas ‘extras’ que consomem boa parte do orçamento.

Para ajudar os leitores, o Jornal de Piracicaba conversou com especialistas em finanças que listaram as principais dicas quando o assunto é pagamento de IPTU, IPVA, material escolar, matrícula, assim como de parcelamentos para bancar os presentes de Natal, férias e viagens de fim de ano.

Para o economista e professor da Unimep, Bruno Pissinato, para dar conta das despesas sazonais sem entrar no vermelho é necessária uma boa organização financeira. “A família deve ter plena noção dos gastos, assim como das fontes de renda. Os impostos oferecem descontos para pagamento à vista. O material escolar deve ser comprado antecipadamente para aproveitar possíveis promoções e dividir o peso da conta em vários meses”, afirma.

De acordo com o docente, faz toda diferença contar com uma planilha detalhada das despesas do domicílio, as dívidas já contraídas e as fontes de renda. “Adicionalmente, uma mudança de hábitos e pensamento. Por exemplo, as pequenas contas muitas vezes ignoradas acabam tendo um peso se somadas, o que demanda novas atitudes e restrições”, diz.

O consultor financeiro Raphael Bremenkamp afirma que a partir do momento que a pessoa tem anotado em um papel as despesas mensais e o orçamento, ela passa a ter consciência se os gastos se encaixam dentro da capacidade de geração de renda.

“Se se encaixar, ótimo. Se não, tem que enxugar as despesas não obrigatórias ao máximo, aquelas que podem ser substituídas como é o caso dos restaurantes ou algum tipo de lazer. Ou então buscar uma geração de receita a mais que supra isso. O nome disso é planejamento”, explica.

No caso do IPTU e IPVA, o consultor recomenda o pagamento à vista, porque a maioria das prefeituras oferece desconto. “Desconto significa economia, então vale a pena pagar à vista sempre que possível”.

Para quem não tem condições de quitar os impostos à vista, o especialista em finanças sugere o parcelamento na quantidade de vezes que se encaixar dentro da realidade orçamentária da família. “Não adianta pagar em duas vezes se não terá condições de honrar com uma parcela maior”, pontua.

Na avaliação da consultora financeira Lavínia Martins, IPTU e IPVA só devem ser pagos à vista se a pessoa tiver reserva financeira para isso. “Só vale a pena fazer o pagamento à vista se o valor do desconto for maior do que o rendimento do investimento financeiro”, afirma.

Economista e professora do Observatório PUC Campinas, Eliane Rosandiski diz que a situação atual está muito crítica. Segundo a docente, apenas uma minoria dos trabalhadores empregados teve direito ao 13º salário, dado o grau de informalidade da economia. Ela também ressaltou o fato de 14% da população estar desempregada, o que tem ampliado, de modo significativo, a parcela de endividamento para a compra de alimentos. “Para quem está sem emprego e endividado, a única estratégia possível é tentar sobreviver. Nesse cenário, certamente impostos ficarão para depois”, diz.

Quem tem filhos em idade escolar enfrenta ainda mais uma despesa no início do ano: a compra do material escolar. Para economizar, a principal dica dos especialistas é investir um tempo em pesquisa de preços. No entanto, por conta da pandemia do novo coronavírus, essa peregrinação deve ficar mais difícil, acredita a professora da PUC. “Acho que uma compra coletiva de material surte mais efeitos devido ao poder de barganha para negociação de um volume maior”, sugere.

Lavínia, por sua vez, recomenda, antes de comprar todos os itens da lista, checar o que pode ser aproveitado do ano anterior ou de colegas de outros anos. “Algumas escolas fazem feiras de troca de materiais de alunos de anos diferentes”, diz.

O consultor financeiro Raphael Bremenkamp acrescenta que evitar a escolha por material personalizado bem como comprar pela internet pode gerar economia. “A compra pela internet é uma dica super válida porque temos uma variedade, facilidade e agilidade maior para fazer a pesquisa. Fora isso, os materiais adquiridos pela internet têm tendência de ser mais baratos porque aqueles que vendem por meio de uma loja virtual têm menos custo para poder operar essa venda – não precisa de um estoque tão alto, do espaço físico nem de funcionários”, explica.

E se engana quem pensa que planejamento financeiro só é válido para dar conta das despesas de começo de ano. A medida é recomendada para lidar com tranquilidade em caso de alguma eventualidade em qualquer momento.

“A maioria de nós não faz esse planejamento e por isso acaba tendo problema financeiro quando acontece qualquer imprevisto. É preciso ter uma reserva de emergência”, afirma o consultor financeiro.

De acordo com ele, focar na construção de uma reserva é importante para que imprevistos não gerem danos. “Se essa reserva for de seis vezes o custo de vida mensal já está de bom tamanho. Uma pessoa, por exemplo, com custo de vida mensal de R$ 2 mil, o ideal é que a reserva seja de pelo menos R$ 12 mil”, orienta Bremenkamp.

Com base nisso, o especialista acredita que é possível passar de maneira mais tranquila por qualquer eventualidade, seja de uma conta extra que não esperava, desemprego, doença ou acidente.

Ana Carolina Leal
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