“Acho que compreender uma coisa qualquer inteiramente, por insignificante que seja, exige a compreensão de todas as demais coisas do mundo”. (John Berth – A Ópera Fluente)

Conseguir entender é um desejo inato, uma compulsão.
Definir entender é paradoxal, pois aquele que acredita ter conseguido jamais aceitará seu erro.

O dicionário nos oferece sinônimos: inferir, deduzir, concluir, portanto avaliza a possibilidade do erro. Outro sinônimo é compreender, que além de significar abranger, conter em si, constar de, mencionar, incluir, também esclarece que pode ser entendido por alcançar com a inteligência, entender, perceber, conhecer a razão de…

Todos gostariam de alcançar o conhecimento completo e exato daquilo que vê, constata, ouve e até imagina.

Nossa frustração é descobrir que a maior parte daquilo que acontece não nos é compreensível e, quanto mais estudamos mais dúvidas temos.

Inúmeras vezes fui abordado por alunos e ex-alunos sobre acontecimentos e personagens que estudaram e não entenderam.

Como sou cobrado, por muitos de meus leitores, para escrever sobre fatos históricos cito uma dúvida que vários tiveram e eu também tenho, vou mencionar a saga de Aníbal Barca, general cartaginês.

A cidade de Cartago, fundada pelos fenícios no norte da África, foi o maior obstáculo para os romanos construírem seu império. Ela só foi derrotada após três longas guerras. Na primeira, Roma, depois de driblar os navios de guerra cartagineses, foi vencedora e tomou de Cartago a rica colônia da Sicília, ilha no sul da Itália.

Os cartagineses logo conseguiram melhor e mais rica possessão, a Hispânia, atual Península Ibérica. Foi de lá que Aníbal com um exército, em sua maioria de mercenários e ocasionais aliados, realizou uma epopeia; atravessou os Pirineus, montanhas difíceis, conseguiu o apoio de tribos gaulesas (na atual França), logrou atravessar os Alpes, empreendimento inacreditável , pois levava 37 elefantes de guerra, um exército não acostumado ao frio intenso, sem contar os estreitos desfiladeiros e as emboscadas dos hostis montanheses.

Sua primeira vitória, na segunda guerra, já na Península Itálica, foi às margens do Tessino, contra o cônsul Cornélio Cipião. No ano seguinte derrotou, às margens do Lago Transimeno, o cônsul Caio Flaminio que perdeu 15 mil homens, um mês depois venceu novamente às margens do rio Trébia.

Roma estava, praticamente, a mercê dele, mas ele não a atacou.

Roma era uma república governada pelo senado, que determinava os cargos executivos, o mais alto deles era o consulado, com dois cônsules, mas em caso de guerra podia ser nomeado um ditador com poder total, apenas por seis meses, porém renováveis.

Foi nomeado Fábio Máximo, apelidado de cunctator (contemporizador), pois optou por guerrilha, não enfrentamento direto. Embora essa tática era a mais indicada pela prudência, ao vencer seu mandato foi deposto, voltando o consulado com Lúcio Emílio Paulo e Caio Terêncio Varão que, irresponsavelmente, atacou Aníbal em Canas. Aníbal, mesmo com inferioridade numérica teve uma vitória retumbante. No entanto, não atacou Roma, o que ninguém entendeu, aliás, seu comandante da cavalaria, peça fundamental na vitória disse-lhe: “Aníbal, vejo o que os deuses dão a um homem muitas dádivas, mas não todas. Você sabe como vencer, mas não sabe o que fazer com suas vitórias”.

Em 19 de outubro de 202 a. C. Cipião Africano o derrotou em Zama. Até hoje paira a pergunta: como entender?

Alonguei-me demais, mas a espaço ainda para outra dúvida, será verdade: Li que para um casamento manter a harmonia, a mulher precisa descobrir como entender o marido e ele jamais tente entender a esposa.

Só a Covid-19 é mais difícil compreender.

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