Como o varejo pode atender a geração prateada

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Apontado como uma das megatendências do século pela Organização das Nações Unidas (ONU), o aumento da população com mais de 60 anos traz consigo oportunidades, transformações para o varejo. O grupo denominado de geração prateada, apelido que surgiu como referência aos cabelos grisalhos, é composto de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos e é responsável por quase 20% do consumo no Brasil.

A geração prateada tem desafiado de forma consistente e incisiva as expectativas do varejo, e são poucos os negócios que a entendem completamente.No Brasil, a quantidade de prateados será superior a 68 milhões de pessoas em 2050. O fato é que os idosos são cada vez mais protagonistas quando o assunto é consumo. Nesse sentido, as empresas precisam aprender a atendê-los e a conquistá-los. Os prateados, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por ano, movimentam cerca de R$ 1,6 trilhão, número que deve aumentar nos próximos anos, tendo em vista o envelhecimento da população.

O que figura em sua lista de prioridades é um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada e atividades para o corpo e a mente. A alteração que vem ocorrendo na curva demográfica do mundo todo indica que é preciso olhar a longevidade com carinho quando se trata de mercado e de consumo. Tanto os varejos físicos quanto os virtuais devem considerar essa geração como um segmento com forte potencial de consumo. A Pipe Social e a Hype60+ realizaram um estudo que mostrou que os consumidores seniores se adequaram ao universo das novas mídias e já estão conectados em rede, muito embora ainda tenham preferência pelos meios de comunicação tradicionais.

Ao analisar o tipo de mídia social utilizada, verificou-se que, de 2.044 entrevistados, 44% dos prateados indicaram blogs, sites e portais na internet, 13% mencionaram o Facebook, 7% disseram que buscam informações em jornais e revistas, 6% têm nos grupos de WhatsApp a principal fonte de informação e 6% afirmaram preferir o rádio. No caso do varejo, o desafio é abordar a autonomia e a profundidade buscadas pelos prateados na comunicação, sem rotular os produtos como algo simplesmente para uma determinada faixa etária. Como exemplo, podem-se citar os empreendimentos imobiliários coliving, ambientes para viver em comunidade originalmente planejados para a geração prateada. Para dialogar com esse segmento, não devemos cair na armadilha da generalização e do preconceito, pois esse público é diverso, variando em função da faixa etária, do gênero, da classe social, da capacidade física, emocional e cognitiva e do estilo de vida.

É preciso comunicar criando conteúdos que realmente sejam relevantes e úteis. Para trabalhar a comunicação com esse público, é preciso utilizar linguagem adequada e histórias reais a fim de criar engajamento. No processo de comunicação, representatividade, profundidade e protagonismo devem ser priorizados, com objetivo de evitar a construção de estereótipos em relação aos idosos, principalmente no tocante a aspectos negativos e fragilidades. Deve-se compreender suas necessidades e seus desejos para estabelecer um feedback na comunicação.

É necessário priorizar palavras apropriadas, imagens contemporâneas, fontes e cores que facilitem a leitura do perfil do consumidor prateado, bem como usabilidade amigável e design inclusivo, visto que todos esses elementos são determinantes para a obtenção de resultados positivos. Não subestime esse público, conheça a diversidade de seu estilo de vida, entenda sua linguagem, sua rotina e ingresse nesse segmento promissor.

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