Comportamentos e convivência

Por André Salum

Os padrões de comportamento estabelecidos ao longo da história e os conceitos sobre o que é socialmente aceitável ou não são dinâmicos e variam em diferentes locais, povos e culturas, a depender de tradições, critérios religiosos, nível cultural e convenções sociais. Devido à diversidade humana o que é considerado crime em certo país ou para determinado povo, não o é em diferente lugar ou época. Não existem padrões absolutos nem leis permanentes, mas apenas enquanto forem necessárias e reflitam o senso comum. Muitas práticas, como a escravidão humana, por exemplo, que perdurou durante milênios, hoje são inadmissíveis, graças à evolução da sociedade e consequentemente das leis que regulam seu funcionamento. Por outro lado, condutas que já foram consideradas criminosas, pecaminosas ou inadmissíveis, atualmente, por algum tipo de degradação, têm sido aceitas e estimuladas por parcelas da sociedade que desejam legitimá-las e banalizá-las.
Vários setores da população trabalham pela garantia de direitos a grupos sociais, culturais, étnicos, políticos ou religiosos, atitude louvável que promove e resgata a dignidade humana. Entretanto, quando participantes de tais ações, por mais bem intencionados, podemos violar princípios e direitos que ignoramos ou desconsideramos, afetando negativamente diferentes setores da sociedade. Muitas vezes defendemos determinadas causas que consideramos justas, principalmente se essa defesa for compartilhada por grupos com os quais tenhamos afinidade, o que legitima e fortalece nossas ações e posturas. Enquanto isso, diversas causas, importantes para outros grupos que não têm nossa simpatia ou concordância passam-nos despercebidos, quando então as desrespeitamos sem nos darmos conta de tal atitude. Se trabalhamos por causas nas quais acreditamos, outros grupos defendem ideias diferentes. Além disso, se temos conflitos internos e crises com nossos próprios pensamentos e emoções, quanto mais em relação a outras pessoas, grupos humanos e suas ideias. Tais constatações nos pedem mais humildade e atenção, sabendo que aquilo que consideramos justo e correto pode não o ser para o outro, além do que uma atitude considerada correta hoje pode não ter sido assim até um passado recente, ou pode deixar de sê-lo a qualquer momento.
Instrutores espirituais afirmam que o excesso de leis e normas externas, como ocorre atualmente, reflete uma sociedade degradada, pois quando a consciência está desperta não há necessidade de excessiva regulamentação. No entanto, reconhecemos que na atual condição humana ainda necessitamos de regras e leis externas a nos balizar a conduta.
Práticas e costumes perpetuados por séculos, graças à conscientização de parcela significativa da sociedade, podem ser abandonados e substituídos por outros, mais adequados. Esse processo, lento e complexo, cheio de altos e baixos, avanços e retrocessos, pode ser facilitado por uma educação que contemple a dimensão espiritual e a compreensão de leis que regem a evolução, bem como sua correta aplicação em um mundo cada vez mais complexo e plural. Cremos que, graças aos ensinos espiritualistas ofertados à humanidade, desde que corretamente praticados, evocando e desenvolvendo o que existe de melhor em cada um, torna-se possível a emergência de uma nova ordem social mais harmoniosa, pacífica e saudável, em que, mais do que leis e normas exteriores, reconheçamos na própria consciência a voz a nos ditar as regras de conduta.

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