Conselho de Alimentação Escolar constata má qualidade em kits

Renata diz que a qualidade dos alimentos é ruim

Baixa qualidade de alimentos, oferta de produtos exclusivamente processados e descumprimento do Pnae

Uma série de irregularidades nos kits de alimentação entregues pela empresa Horto de Marataízes a alunos da rede municipal foram apontadas pelo CAE (Conselho de Alimentação Escolar). A qualidade do que é ofertado é o primeiro ponto para os itens feijão e extrato de tomate. Também as amostras apresentadas pela empresa não condizem com o tipo de alimento entregue às famílias, caso do flocão de milho. O kit também não inclui leite em pó, alimentos in natura de agricultura familiar e produtos para crianças com NAE (Necessidades Alimentares Especiais).

Houve uma reunião em 27 de julho sobre o assunto, o que gerou um ofício do conselho nesta semana ao secretário de Educação, Gabriel Ferrato, e à nutricionista responsável técnica da DAN (Divisão de Alimentação), Mariana de Campos Chaves. Como desdobramento foi proposto “a exclusão do extrato de tomate do kit e a aplicação de um desconto do valor total para a manutenção dos demais produtos”, o que foi classificado pelo CAE como inaceitável. O conselho aponta, com base na segurança alimentar e nutrição, que o kit seja composto por todos os itens indicados no contrato a fim de manter a qualidade ofertada na alimentação escolar da cidade. A cesta de produtos contratada com a Horto inclui: arroz, feijão, biscoito salgado, fubá, farinha de milho, macarrão (pacote com 500 g), extrato de tomate, óleo de soja e sal. O CAE salienta que os produtos escolhidos – e que não estão sendo entregues – são da categoria dos alimentos processados e não foi incluso os do tipo in natura (frutas, legumes, hortaliças), obrigatório por meio de resolução do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).

O comprometimento das cestas teve como ponto importante a não participação do profissional de nutrição responsável pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) no momento da decisão da Secretaria de Educação sobre a composição do kit. Além dos alimentos frescos, também ficaram de fora o leite em pó, avaliado pelo CAE, junto à população local, como essencial – a rede atende crianças com até cinco anos de idade. O CAE também questiona a falta de planejamento na entrega dos kits por parte da prefeitura. A cozinheira Renata Rodrigues Cordeiro, 21, tem dois filhos no ensino municipal e conta que a qualidade do arroz é péssima. “Fiz e ninguém quis comer, é um arroz papa.” Ao longo deste ano, Renata recebeu uma vez um kit de leite em pó com bolacha e duas cestas com macarrão, feijão e floco de milho. “A qualidade é ruim”, conta ela. A Secretaria de Educação informou que sim, houve problemas com a qualidade dos alimentos e falta de atendimento do NAE.

Sobre o quanto a administração vem gastando com esses kits, alunos contemplados e a não entrega de leite em pó e alimentos in natura de agricultura familiar e, também, porque a nutricionista do Pnae não foi convocada na decisão sobre a composição do kit, o secretário Ferrato apenas disse que não pode responder por sua gestão passada. O contrato emergencial com a Horto de Marataízes se encerra na terceira semana deste mês e o pregão da última licitação para a merenda não teve vencedor divulgado – está sendo ventilado que a nova empresa será anunciada no próximo dia 18.

Cristiane Bonin

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