Construtora propõe recuperar prédios condenados pela Justiça

Edifícios inacabados, abandonados há mais de 30 anos e condenados à demolição, podem ter obras reativadas. (Foto: Amanda VIeira/JP)

Uma reunião promovida na última quinta- -feira, dia 18, pode pôr fim a dois impasses que duram mais de 30 anos, preocupam moradores de diferentes bairros e marcam a paisagem de Piracicaba. Depois de décadas de abandono, os esqueletos dos prédios localizados na rua Gomes Carneiro, no bairro Alto, e na Visconde do Rio Branco, em Higienópolis, podem ter suas obras retomadas. A proposta para incorporação e conclusão desses imóveis, após investimento total de R$ 24 milhões, foi apresentada à prefeitura pela Tropcons Construtora, com o aval dos atuais proprietários (Abdo Construtora e espólio de Guilherme Ferrante), condenados pela Justiça a demolir os edifícios inacabados.

“E l e s [ re p re s e n t a n t e s da Secretaria Municipal de Obras] acharam interessante nossa proposta e também são contrários à demolição. Por isso, ficaram de verificar com a procuradoria da prefeitura o que é possível fazer para reverter essa decisão”, afirmou o engenheiro Luiz Carlos Bená, responsável pelas obras da Tropcons Construtora. Enquanto aguarda a decisão do Município, a empresa já se comprometeu a manter os imóveis cercados e a promover a manutenção no local.

Além desses dois prédios, a incorporadora também já assumiu e está prestes a concluir dois outros edifícios, cujas obras estavam paralisadas há mais de 20 anos. Em um imóvel localizado na rua Hilde Maluf, no bairro Água Seca, a construtora já investiu R$ 8 milhões para a conclusão de 64 apartamentos, e pretende investir outros R$ 12 milhões, para efetuar a entrega da segunda torre, com mais 64 unidades. No prédio inacabado na avenida Cássio Paschoal Padovani, no bairro Morumbi, R$ 8,5 milhões foram investidos para a revitalização. Também com 64 apartamentos, esse prédio estava abandonado e sem perspectivas de recuperação. Do montante investido, Bená salienta que 40% é empregado em mão de obra.

No caso de outro prédio abandonado, esse na rua Padre Lopes, no São Dimas, a construtora pretende refazer seu projeto, para regularização da parte arquitetônica. Caso essa obra também saia do papel, dos 12 imóveis inacabados que constam hoje na lista da Prefeitura, cinco devem ser concluídos em breve.

“Nosso estudo mostra que a demolição é completamente inviável, principalmente pela poluição de pó de sílica, altamente cancerígeno, que pode atingir um raio de cinco quilômetros”, afi rmou Bená. Além disso, ele aponta que a recuperação desses prédios devolve aos investidores e à população em geral uma obra pronta e útil, que gera empregos e tributos para o município.

Para Estevam Otero, professor de Planejamento Urbano da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), a existência de prédios abandonados é prejudicial à cidade, pois essas edifi cações não cumprem sua função social.

“Essas obras abandonadas não respondem à utilização adequada do solo urbano e da infraestrutura existente”, afi rma. Segundo ele, é de interesse da sociedade que a cidade seja ocupada de forma racional e equilibrada, pois a implantação e manutenção da infraestrutura e equipamentos da cidade tem um custo social.

FIM DAS PREOCUPAÇÕES

A retomada e conclusão das obras desses esqueletos existentes em Piracicaba deve valorizar as regiões onde esses prédios foram levantados e tranquilizar moradores vizinhos. A aposentada Regina Célia da Silva Mendonça vive em frente à obra inacabada da rua Gomes Carneiro, um prédio de 12 andares.

“O que me preocupa é a possibilidade de invasão por usuários de drogas ou pessoas mal-intencionadas. O abandono também pode contribuir para a proliferação de escorpiões”, afirmou. “Já faz tempo que ouvimos que esse prédio seria demolido, mas até agora nada”, concluiu.

Andrelia Margoni, diretora de uma clínica veterinária ao lado do edifício da Gomes Carneiro, também relata sua preocupação com a possibilidade de o edifício abandonado servir de criadouro do mosquito da dengue, assim como de outros insetos, e reclama da proliferação de ratos na vizinhança. “Isso sem contar que a presença desse prédio, do jeito que está, acaba desvalorizando a região”, disse.

O autônomo Amilton Freitas Alves, mora há poucos meses em uma casa ao lado do prédio inacabado da rua Visconde do Rio Branco. Ele explica que para evitar invasões, os donos do imóvel (hoje de propriedade da Construtora Abdo), colocaram um cadeado no portão. Além disso, eles têm providenciado limpezas frequentes e até deixaram um telefone de contato caso o vizinho perceba qualquer movimentação suspeita no local. Mesmo assim, o morador da vizinhança comemora a possibilidade de conclusão da obra.

Ana Carolina Leal
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