Conversando com quem conhece, de verdade

Foto: Amanda Vieira/JP

Adolpho Queiroz, Secretário Municipal de Cultura.

Há um frisson nas redes sociais sobre um tema descoberto por antigos gestores públicos apenas este ano. O problema nunca esteve em debate em períodos anteriores de outros governos. Mas, volta à tona agora, por conta do anúncio de um novo projeto de ocupação do Engenho Central, com fins específicos para espaços culturais. Contudo e contraditoriamente, às informações veiculadas, o Engenho abriga, no seu barracão 14A, as mapotecas do Salão de Humor, com trabalhos em papel do início do Salão em 1974, quando os trabalhos chegavampelos correios, portanto, há precedentes de que o Engenho Central pode sim abrigar reservas técnicas de obras de arte, autorizadas anteriormente.

Pedi um parecer técnico a uma das nossas maiores autoridades em patrimônio histórico, o arquiteto Marcelo Cachioni, do Departamento de Patrimônio Histórico do Ipplap,cujas observações são necessárias para dirimir dúvidas e questionamentos sobre o tema. Se ele, que é estudioso, publicou vários livros sobre o assunto sob a chancela do Ipplap e está fazendo seu pós-doutorado no assunto, tem esse ponto de vista, asseguro-lhes que a opinião é verdadeira.

Eis o que me disse sobre temas como umidade e degradação nos prédios do Engenho Central, comparados aos deixados pela administração anterior na Pinacoteca Municipal: “Em maio de 2021 visitamos o prédio tombado pelo Codepac, que sedia a Pinacoteca Municipal, no qual encontramos graves problemas de conservação: focos de mofo nas paredes da reserva técnica e na sala de exposições causados por infiltração ascendente do solo e, também da cobertura. Por sua localização, todo o edifício sofre com problemas de umidade que requerem manutenção constante, que custam uma soma bastante significativa de recursos públicos. Os problemas já são muito graves por si e, também colocam em risco de contaminação e deterioração o importante acervo de pinturas e esculturas”. Tais problemas apontados, exigem boas práticas de gestão pública, no sentido de procurar alternativas adequadas para a melhor proteção do acervo artístico, além de melhorar o acesso da população ao seu legado cultural.

Os problemas também se estendem a outros equipamentos culturais, como aBiblioteca Municipal. Ainda segundo Cachione, “O prédio revela, no momento, inadequação para a função de biblioteca, entretanto desde sua construção já apresenta problemas estruturais e possível recalque, em vista das trincas espalhadas por toda a laje de piso, cuja situação se agrava com o peso das estantes de livros, além de apresentar problemas de segurança geral, principalmente falhas na instalação de esquadrias e no sistema elétrico”.Isso, para citar apenas alguns dos inúmeros problemas que o prédio apresenta para o bom funcionamento da biblioteca, que infelizmente também possui baixa frequência.

E, por fim, sobre o faxinaço que temos feito no Engenho Central, uma última consideração: “Os edifícios do Parque do Engenho Central, como também as áreas livres requeremserviços de conservação e manutenção constantes. As estruturas devem permanecer limpas e apartadas de mato para evitar sua deterioração, como também devem permanecer livres de entulho e material de descarte. A proximidade com o rio Piracicaba não é em si geradora de focos de umidade nas paredes dos edifícios, que possam prejudicar a conservação de eventuais acervos, desde que observada a ventilação adequada, além de outros procedimentos específicos para cada situação. É importante destacar que em sua construção, os edifícios eram isolados de infiltração ascendente, exatamente para não prejudicar as atividades industriais, tanto para a produção, quanto armazenamento de um produto sensível à umidade como o açúcar”, conclui Cachione.

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