Cooperação entre escolas, pais e alunos para superar os desafios

Em 2020, foi preciso juntar esforços da escola, professores, alunos e pais para se reinventar na pandemia. (Foto: Amanda Vieira/JP)

A pandemia forçou a escola Coopep (Cooperativa Educacional de Piracicaba) a experimentar ao limite o mais altivo princípio deste modelo de educação: a cooperação entre todos os agentes do sistema. Para seguir em frente num mundo de cabeça para baixo – diante das mudanças impostas com o avanço da covid-19, foram necessários acordos, ajustes, solidariedade, empatia e paciência.

Perto do término de 2020, a Coopep optou por ainda não retomar as aulas presenciais e, mediante as experiências educacionais neste período, continua agora com um novo olhar sobre o que é ensinar e aprender.

A Coopep suspendeu as aulas presenciais no dia 17 de março, conta a presidente da Cooperativa, Joana Banov. O desafio, além de encarar o ineditismo do momento, foi implementar uma tecnologia para as aulas à distância e para a comunicação entre o próprio corpo docente. “A tecnologia sempre foi sutil dentro da prática pedagógica da escola. Não tínhamos um ambiente virtual de aprendizagem”.

Afinal, a Cooperativa Educacional, como ressalta Joana, preza bastante pelo ensino por meio do sentido de comunidade, em que os alunos e professores interagem em sala de aula e projetos extraclasse. Como então seria essa etapa, das crianças aos adolescentes, à distância?

A coordenadora Rita Vitti enfatiza que os alunos superaram muito bem este desafio. “Alguns pais comentaram que, durante as provas, os filhos debatiam entre eles algumas questões, e isso é o cooperativismo. Mesmo à distância e longe do professor, encontraram um caminho para se ajudarem”.

Joana completa. “Ajudaram, inclusive, uns aos outros a entender e usar melhor a tecnologia pela qual experimentam a aprendizagem nesse ano”, conta.

O não retorno às aulas presenciais em 2020 é também um fundamento do cooperativismo colocado em prática, explica a diretora-presidente. “Foi uma decisão dos pais. Fizemos uma pesquisa com os pais – 98% assinalaram que preferem manter os filhos em casa até o fim deste ano. Os pais têm poder decisivo”, afirma.

Segundo Joana, a vontade da expressiva maioria dos pais bate com o entendimento da própria Coopep, de manter os alunos seguros em casa, com o ensino à distância. “Haveria uma discrepância pedagógica entre a pequena parcela que eventualmente voltaria, permitida por lei, e aqueles que continuaram em casa”, avalia.

Após 2020, Rita tem uma certeza: a forma de se promover educação mudará para sempre. “Acredito que, ao menos no Coopep, será uma aprendizagem combinada, com ênfase tanto na tecnologia quanto nos estudos na escola, em sala”, comenta.

Erick Tedesco

[email protected]

LEIA MAIS:

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite o seu comentário!
Por favor, entre com seu nome

3 × 3 =