CPI do Semae: aberta a caixa preta das denúncias que incluem despejo de esgoto em rio

Foto: Davi Negri/Câmara de Vereadores de Piracicaba

Concessionária informa que irá analisar alegações e responderá em momento oportuno, diz assessoria

Para economizar energia elétrica, a concessionária Mirante tinha como prática desligar as bombas – utilizadas para transpor a diferença de altitude dos rios com as estações de tratamento – durante a noite, resultando no despejo do esgoto in natura nos ribeirões. A mesma empresa, contratada por uma PPP (Parceria Público-Privada) com a prefeitura, comprou um equipamento específico para jogar lodo no ribeirão do Piracicamirim. Estas duas informações foram apresentadas ontem (quarta-feira) à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto) pela servidora da autarquia de saneamento Fernanda Monis, funcionária no local há 19 anos. A oitiva foi classificada como a mais impactante até o momento na comissão. As informações são da assessoria parlamentar. A Mirante informa desconhecer o que foi relatado pela servidora do Semae. “A concessionária irá analisar as alegações apresentadas em oitiva da CPI do Semae e irá responder em momento oportuno.”

Outras acusações foram feitas pela depoente, como funcionários da Mirante sem treinamento no início da operação. “Quando veio a empresa privada, eles vieram com funcionários que não sabiam nada. Nós [do Semae] é que tivemos de ensinar eles. A gente passou a ter de treinar e ensinar”, revelou a depoente à CPI. Segundo ela, depois de aprenderem o serviço, esses funcionários iam trabalhar em outras cidades e novos funcionários eram enviados pela Mirante para Piracicaba a fim de passar pelo mesmo ciclo. Também foi informado outra irregularidade: trabalhadores da empresa ‘picavam o cartão’ em Piracicaba e seguiam para o expediente em outras cidades, como Matão e Holambra.

Também sobrou para o ex-presidente do Semae, José Rubens Françoso, acusado de realizar um desmonte no setor de fiscalização. Ele rebate, diz já ter sido ouvido pela CPI e explicado a existência de fiscalização do contrato da PPP.

Cristiane Bonin
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