Crescimento exacerbado dos dentes pode acometer coelhos e outros roedores; saiba como prevenir

Foto: Freepik

Hipercrescimento dentário é uma doença que causa machucados na boca e perda de apetite nos animais

Os dentes de animais roedores como coelhos, chinchilas e porquinhos-da-índia têm crescimento contínuo e precisam ser desgastados para evitar problemas de saúde que acontecem quando os tutores oferecem alimentos moles, como frutas e cenoura, e uma alta quantidade de ração.

Por serem de fácil mastigação, os animais os ingerem muito rápido e não fazem o movimento circular na mandíbula, necessário para desgastar os dentes e evitar o quadro de hipercrescimento dentário.

“O crescimento machuca a gengiva e a bochecha interna do animal. Em casos mais extremos, o incisivo (dente da frente) cresce tanto que passa a narina”, afirma o médico veterinário Marcel Lucena, especialista em animais não convencionais.

A médica veterinária especialista em odontologia, Vanessa Carvalho, indica uma dieta de folhas, como capim, feno, várzeas e gramíneas. Os tutores podem oferecer frutas e cenoura como petisco para agradar os pets, mas precisam dar pouca ração e deixar durante o dia um pouco dessas plantas para os bichos comerem. “A ração, por promover um valor nutricional muito alto, faz com que os animais tenham menor necessidade de procurar folhas, porque já estão satisfeitos”, ela explica.

O veterinário Marcel indica observar se o animal tem comido só alimentos moles e notar se algo o incomoda. Segundo ele, é valido o tutor ficar alerta também nos dentes do animal, se estão pontiagudos ou grandes demais. O hipercrescimento dentário tem diferentes graus de tratamentos, que vão desde a correção por meio de mudança na dieta até a extração do dente acometido. Vanessa explica cada uma das fases da doença:

Fase inicial: a correção acontece apenas com uma mudança na dieta.

Fase avançada: o animal precisa passar por cirurgia para fazer o desgaste dos dentes por meio de brocas cirúrgicas. Após o procedimento, o médico indicará uma dieta especial e acompanhamento.

Caso crônico: o roedor não consegue fechar a boca, pois os dentes superiores e inferiores estão crescendo. Ao se chocarem, forçam a entrada no osso no sentido contrário. Após o procedimento cirúrgico, a musculatura da mastigação fica distendida e levará um tempo para voltar ao normal.

Caso crônico irreversível: quando há mudança de posição dos dentes, impossibilitando a reversão para a formação original. A médica indica que os pacientes façam o procedimento de desgaste com um profissional todo mês ou a cada dois meses.

Abscessos: inflamações crônicas causadas pela pressão dos dentes contra a mandíbula e osso do maxilar. “Os abcessos dentários desses animais são muito difíceis de serem tratados. Eles normalmente se desenvolvem de forma muito aguda e o tratamento é a extração dos dentes que estão envolvidos no abcesso e a remoção do próprio abcesso”, conclui Vanessa.

Laís Seguin
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