Crise hídrica: será que é só isso?

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A escassez de recursos hídricos vem ganhando crescente espaço no debate público nas últimas décadas. É bem verdade que essa não é uma novidade para todos aqueles que, de alguma maneira, se interessam pelo que acontece com o mundo ao seu redor. Aqui em Piracicaba, por exemplo, basta uma rápida visita a um dos principais cartões postais da cidade que certamente ficaremos estarrecidos com a paisagem que se apresenta. Em tempos em que as chuvas teimam em não cair por aqui, o nosso Rio Piracicaba padece diante dos nossos olhos.
Por todo o Brasil vemos rios, córregos, reservatórios e represas sofrendo com a falta de chuva e o aumento no consumo, sobretudo em tempos de pandemia cuja água se tornou um aliado mais do que necessário para a nossa proteção. Todos os anos, em momentos de estiagem, os noticiários se enchem de matérias acerca do problema. Entrevistam autoridades, cobram respostas e pedem soluções, mas parece que nada muda, principalmente nos discursos daqueles que são cobrados, uma vez que a retórica é sempre a mesma: a falta de chuva. Embora os níveis registrados de chuva venham diminuindo ano a ano, é espantoso ver sempre a mesma estratégia de comunicação do poder público, como se não houvesse mais nada a fazer, senão sentar e esperar a dádiva da chuva cair do céu.
Confesso que este texto é mais um relato de alguém curioso que vê os problemas trazidos pela falta de preparo e planejamento dos nossos gestores. Nas últimas semanas, surgiram informações que estaria pronto um “plano de rodízio” para a cidade de Piracicaba caso as chuvas não venham com a intensidade esperada nos próximos meses. É evidente que a possibilidade de racionamento vem assombrando diversas cidades espalhadas pelo país, mas, por aqui, ao menos no bairro em que resido, essa possibilidade (futura) não deixa de ser um tanto controversa, pois, ao que parece, o rodízio já estaria em plena operação. Do contrário, por qual motivo todas as noites ficamos sem água?
Infelizmente este não é um problema isolado. Nas redes sociais há uma infinidade de reclamações sobre o mesmo assunto: a falta de água. Se por um lado, é preciso que tenhamos, enquanto cidadãos, a plena consciência sobre o uso da água em nosso dia a dia, por outro, os órgãos públicos precisam fazer sua parte, contendo as perdas no sistema
de abastecimento, repensando novas possibilidades para o armazenamento de recursos hídricos, bem como informando sistematicamente a população, pois este é um cenário que, na minha opinião, não tem mais volta. Em matéria de comunicação, torna-se notório que os órgãos públicos ainda estão longe de atingir o nível aceitável de transparência sobre suas ações, iniciativas e problemas. Enquanto ficamos apenas a depender de São Pedro, quem “paga o pato” são aqueles que abrem a torneira e, ao invés de água, o único som que ouvem é o sopro do vazio.

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