Parlamentar disse que não foi acometido pelos sintomas mais graves da covid-19 (Foto: Guilherme Leite)

“A gente sabe que existe, mas no nosso íntimo acha que não vai pegar. E não é bem assim”. O relato é do vereador Ary Camargo de Pedroso Jr. (SD), que nas últimas três semanas teve sua rotina alterada, após ser diagnosticado com covid-19. Cirurgião geral e cirurgião do aparelho digestivo, ele se diz curado da doença e deixou o seu depoimento ao projeto Câmara Inclusiva, da Câmara de Vereadores de Piracicaba. “Não podemos dar bobeira, que a doença é muito transmissível”, alertou o parlamentar.

Em diferentes momentos, no período em que o surto da pandemia já havia se tornado assunto no Brasil, o vereador se posicionou (nas reuniões ordinárias e extraordinárias) sobre os riscos da doença, sempre como forma de conscientizar a população sobre a importância do distanciamento social, necessário para desacelerar a curva de contágio da doença. A última sessão a que esteve presente foi em 21 de maio e, depois disso, ele cumpriu quarentena por 21 dias em sua residência.

Ele disse que os sintomas mais graves da covid-19 não lhe afetaram, porém, relatou que no período de recuperação teve sintoma como tosse, falta de ar em situações cotidianas. “Em nenhum momento, nestes 21 dias, eu falei: olha, preciso ir ao hospital, preciso de oxigênio, nada disso. Mas existem formas graves”, disse, ao lembrar dos casos em que há necessidade de oxigênio complementar, especialmente nas pessoas com doenças autoimunes ou em fase de tratamento com quimioterapia, e com comorbidades como hipertensão arterial, diabetes e obesidade.

Ary também relatou a dificuldade em permanecer recluso no período. “Ficar 21 dias dentro de casa parece ser fácil, que você está de férias, tranquilo. Mas não é. Causa angústia, medo, incertezas. Eu que sou espontâneo, sempre na paz, muitas vezes me via angustiado, chorando, por, sei lá, por querer estar trabalhando, ajudando, tendo a minha vida de volta”, disse.

Na opinião de Ary, por maior que seja o cuidado, sempre há riscos de contrair a Covid-19. Ele lembrou que outros profissionais da área se contaminaram, ainda que seguissem todos os procedimentos de higienização. “Não é uma coisa que depende só de você, mas de outras pessoas. Muitas vezes você está em um local que não é área de risco, tem pacientes que estão nessa área e infectados, mas não sabe. E, muitas vezes, você compartilhar uma torneira, uma maçaneta, você põe a mão aonde a pessoa que tem o vírus pôs, acaba se contaminando.”

Como profissional da área da saúde, ele faz questão de reforçar ao público a adoção dos procedimentos básicos na rotina: uso de máscara facial e álcool em gel, além do distanciamento social. Ele lembra da falta de tratamento e que dificilmente exista uma vacina disponível no mercado este ano. Um dos problemas também está na falta de um protocolo médico que dê segurança 100% na fase de tratamento. “Quarentena, apesar de ser angustiante, acreditem: é um mal necessário”, recomendou.

Para Ary, a situação da cidade é “relativamente tranquila” se comparada com o quadro estadual paulista. “Nós temos leitos de UTI disponíveis, temos vagas em ambulatórios. Mas a situação ideal seria testar todas as pessoas. Não é falta de empenho, não se compra teste por falta no mercado”, avaliou.

O vereador também fez questão de deixar seus agradecimentos aos amigos, familiares e demais parlamentares. “Quero agradecer todos os profissionais da saúde, que cobriram os meus plantões, atenderam meus clientes e me ajudaram muito neste momento. Agradeço aos meus amigos, colegas vereadores e a todas as pessoas que colocaram o meu nome em oração. Graças à ciência, mas também graças à espiritualidade, nestes 21 dias consegui vencer essa doença”.

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