Da ciência ao campo: redução de metano ‘engatinha’ no Brasil

Foto: Gerhard Waller

É praticamente impossível cumprir com as metas, avaliam especialistas

O Brasil não está preparado para cumprir redução de gás metano conforme a meta estabelecida na COP-26, da qual o país é signatário. “O Brasil está aceitando goela abaixo as propostas que estão sendo posta. Como exemplo podemos citar a questão de redução do metano. O país, sem avaliar direito por não está preparado cientificamente, aceitou o compromisso. No entanto, não temos nada sobre esse tema no país, como inventário de metano”, diz o professor Edson Vidal, do departamento de Ciências Florestais da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz).

Guilhermo Congio, engenheiro agrônomo, mestre e doutor em Ciência Animal e Pastagens pela Esalq trabalha com estudos sobre emissão de metano e aponta outro gargalo. “Temos informações que mostram possibilidades de redução de etano, mas, para elas chegarem ao campo depende de um outro serviço adicional à pesquisa chamado extensão rural. O Brasil carece muito nesta parte de extensão, que é traduzir essa informação científica para o produtor rural. Este é o principal gargalo para que medidas e estratégias cheguem no campo.”

O objetivo da Conferência do Clima, recentemente encerrada em Glasgow (Escócia), foi centrar esforços na discussão de estratégias para conter o aquecimento global a 1,5ºC, número baseado nas metas do Acordo de Paris, pacto assinado em 2015. Foram estabelecidas na COP regras para o mercado de carbono, promessas de reduzir o desmatamento e reduzir as emissões de metano em 30%.

A relação da agropecuária com a emissão do gás, em nível global, representa 75% do metano em circulação, impactado fortemente no efeito estufa. Segundo cálculos de Congio, no Brasil, a fermentação entérica (gases produzidos no processo digestivo) dos animais de corte ou leiteiro corresponde a 68% do gás lançado na atmosfera. Conforme dados de emissões de poluentes em 2016 do Ministério da Ciência, foram emitidas 362,6 mil toneladas de metano no período, e a agropecuária foi responsável por 274,8 mil toneladas.

Com o fim da cúpula, o balanço não é otimista. “A salvação do clima foi adiada mais uma vez, para 2022, quando o mundo volta a se reunir em Sharm el Sheikh, no Egito”, avaliou, em nota, o Observatório do Clima. “O prazo para mantermos o aquecimento global em limites seguros para a humanidade está se encerrando. Os resultados desta COP foram decepcionantes e não podemos mais ficar esperando a próxima”, disse Maurício Voivodic, diretor executivo da WWF-Brasil.

Cristiane Bonin
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