Deixem as escolas abertas

Segundo pesquisa do Vozes da Educação, em grupo de países investigados, o Brasil foi o segundo país que mais manteve escolas fechadas durante a pandemia, perdendo apenas para a Bolívia. O Brasil, até o fim de janeiro, contava com 267 dias de escolas fechadas, sem levar em conta, portanto, o fechamento recente que afetou não só o ensino público, mas também o privado. O país conseguiu o feito de interditar escolas por mais tempo que os países que fizeram os lockdowns mais severos do mundo!

O fechamento das escolas produziu danos gravíssimos a adolescentes e crianças, com prejuízos ao aprendizado, devido à interrupção do desenvolvimento das capacidades cognitivas e sociais. Além disso, para as classes mais desfavorecidas, o fechamento das escolas afetou, inclusive, a nutrição de crianças e jovens que dependiam da merenda escolar. A falta do ensino presencial levou ao aumento da evasão escolar, que pode levar tempo para regredir aos patamares anteriores.

E não para por aí. Durante a pandemia, o número de denúncias de violência infantil, incluindo abusos sexuais contra crianças, cresceu exponencialmente. Notícias dão conta do aumento de até 12 vezes dessas ocorrências de violência em Conselhos Tutelares pesquisados na capital. O agressor passou a ficar mais tempo dentro de casa, durante a imposição de isolamento social. Muitos indivíduos com propensão à violência deixaram de trabalhar fora de casa, perderam o emprego, aumentaram o consumo de álcool e passaram a descontar insatisfações e frustrações nas crianças que, por sua vez, deixaram de frequentar as escolas, ficando em situação de vulnerabilidade em suas próprias casas.

Evidentemente essa triste realidade também foi associada ao crescimento da violência doméstica contra as mulheres responsáveis por essas crianças. Casos de feminicídio cresceram 41,4% no estado de São Paulo durante os meses de março e abril de 2020 em razão do isolamento social, segundo o estudo intitulado “Violência Doméstica durante a Pandemia de Covid-19”, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Além do agravamento da violência física contra crianças e mulheres, o isolamento social das crianças, privadas da rotina escolar, resultou também em graves problemas emocionais, com o aumento de diagnósticos de depressão infantil, segundo psicólogos. As crianças perderam a convivência com os professores, amiguinhos da escola e até parentes, sendo privadas de interação social fundamental para o seu bem-estar. Tornaram-se irritadiças nos momentos que antes lhes traziam alegria, apresentando ainda dificuldades para dormir e mudanças no apetite. Algumas crianças manifestaram sintomas físicos como dor de cabeça ou de barriga.

Países como a Argentina, Chile, Reino Unido e Uruguai já haviam incluído professores na lista prioritária dos elegíveis para vacinação. O estado de São Paulo tomou decisão tardia de dar preferência aos professores. Segundo notícia de capa do JP, a vacinação dos professores começou somente ontem em Piracicaba, com planos para vacinar cerca de 3.000 professores com idade superior a 47 anos, das redes municipal, estadual e particular da cidade.

Esperamos que as autoridades se conscientizem da necessidade da manutenção da reabertura das escolas, sem mais interrupções, a fim de cessarem os prejuízos terríveis já causados às crianças e adolescentes brasileiros.

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