Delegado Rinaldo Puia conta como superou a covid-19

Foi o primeiro caso registrado entre policiais civis registrado nos 52 municípios que fazem parte do Deinter-9 (Claudinho Coradini/JP)

O delegado do 1º Distrito Policial de Piracicaba Rinaldo Puia de Souza foi o primeiro policial positivado para a covid-19, na região do Deinter-9 (Departamento do Polícia Judiciária do Interior. Após conseguir se recuperar em casa, ele deve retomar as atividades, na próxima quinta-feira (4). A SSP (Secretaria informou que no estado de São Paulo, o número de agentes afastados no estado de São Paulo, nas três polícias, corresponde a 3,26% do efetivo, por suspeita ou diagnóstico de covid-19, conforme orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde), do Ministério da Saúde e do Comitê de Contingência do Coronavírus.
A Adpesp (Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo divulgou que outros 356 policiais civis em todo o estado estão fora das atividades por conta da doença.
SUPERAÇÃO
O delegado disse que percebeu que não estava bem no dia 7 de maio. “Senti um mal-estar. Fiz dois flagrantes no plantão policial e levei alguns inquéritos para trabalhar em casa, pois pretendia ficar em home office, no dia seguinte, mas dormi o dia todo. No mesmo dia, minha mulher passou a se queixar de dor de cabeça e febre. No dia posterior, acordeu com dor de garganta. Fizemos o teste e deu positivo para a covid-19”, afirmou Puia.
Segundo ele, teve acompanhamento médico, tomou antibiótico. “Meu médico chegou a receitar cloroquina, mas fiz a opção de não tomá-lo, porque tive receio dos efeitos colaterais, pois sou hipertenso e tenho uma calcificação de parte de uma veia. Acho que é opção de cada um. No final deu certo e não precisei”, afirmou Puia.
A esposa do delegado, que é secretária e não tem comorbidades, apenas tomou paracetamol e não precisou de outros medicamentos.
“Ficamos 22 dias em casa. Quando alguém vinha trazer alimentos, deixava-os no portão e com todo o cuidado necessário iámos buscá-los”, afirmou o delegado.
PIORES DIAS
Para ele, os dias mais difíceis foram os oitavo, nono e décimo dias da doença. Eles pareciam intermináveis. “Tinham dias que pareciam que a doença já tinha passado, mas no dia seguinte, os sintomas estavam mais fortes. Além da doença, controlar o emocional era outro fator muito importante.
“Combinei com a minha esposa, que a gente só assistia filmes e séries na TV, nos distanciamos um pouco dos noticiários, pois o medo dessa doença é assustador. Houve um momento que tibe uma síncope e apaguei. Minha esposa também passou por isso. Depois disso me apeguei a fé. Quando percebia que estava chateado, ou alguns pensamentos negativos me cercavam, eu assistia pelo celular alguns vídeos do Padre Léo. Foram reconfortantes”, afirmou Puia.
Ele disse ainda que cultivar pensamentos positivos também ajudam a cuidar do sistema imunológico contra a doença.

Cristiani Azanha

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