Demanda por cursos a distância mais que dobra em Piracicaba

Em 2010, 2.073 alunos estudavam nessa modalidade. No ano passado, eram 4.508, um crescimento de 117%.

O número de estudantes matriculados em cursos de educação a distância mais que dobrou em Piracicaba nos últimos dez anos. Em 2010, 2.073 alunos estudavam nessa modalidade. No ano passado, eram 4.508, um crescimento de 117%. Em contrapartida, a quantidade de estudantes inscritos em cursos presenciais caiu 10,8% no mesmo período, passando de 16.588 para 14.791. Os dados são do Censo de Educação Superior do Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) e foram obtidos pelo Jornal de Piracicaba por meio da Lei de Acesso à Informação.

Segundo o porta-voz da Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância) e consultor especialista em EAD (Ensino a Distância), Jair dos Santos Júnior, a realidade de Piracicaba é um reflexo do que acontece no Brasil. “Se observarmos os dados apresentados pelo próprio Ministério da Educação por meio do Inep, em 2009 a modalidade a distância teve 330 mil ingressantes, sendo que em 2019 alcançamos quase 1,6 milhão. Na modalidade presencial, os ingressantes que eram 1,7 milhão em 2009 passam a ser apenas 2 milhões em 2019, um crescimento tímido”, compara.

Na avaliação do especialista, esse cenário é resultado de um processo acelerado nos últimos anos, principalmente a partir do marco regulatório da educação a distância, quando, a partir do decreto 9.057 de 2017, se torna possível o credenciamento de polo facilitado. “Houve um movimento de expansão territorial por parte das instituições, o que é ótimo para os estudantes porque passam a ter mais oportunidades de diferentes faculdades prestando serviços”, afirma.

Para o professor Ismael Forte Valentin, reitor interino da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) e diretor-geral da Educação Metodista, as principais razões para esse crescimento são a flexibilidade de tempo, de lugar e a personalização das relações de ensino-aprendizagem que fazem parte da oferta em EAD. Além dos preços mais em conta das mensalidades. A Unimep não oferece graduação a distância com a chancela da universidade, mas está credenciada para funcionar como polo de apoio presencial para os cursos ofertados pela Umesp (Universidade Metodista de São Paulo).

Márcio Henrique Moysés, 41 anos, é um dos moradores de Piracicaba que viu na modalidade online a chance de ter a primeira graduação. Ele se formou no ano passado em Gestão Empresarial. “Trabalho em uma empresa de importação e exportação de metal e viajo quase que a semana inteira. Resolvi fazer EAD pela flexibilidade que o sistema oferece”, diz.

De acordo com o presidente da Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo), que oferece gratuitamente cursos a distância, professor Rodolfo Azevedo, na EAD, o aluno é o protagonista. “O formato garante mais flexibilidade e agilidade ao estudante. Ele pode organizar o seu tempo de estudo e fazer o curso de onde quiser, basta estar conectado a um computador ou smartphone. Uma possibilidade para muitas pessoas que pretendem retornar ou iniciar os estudos, mas que não disponibilizam de tempo para frequentar as aulas presenciais”.

Azevedo afirma, por exemplo, que na Univesp mais de 38% dos alunos são responsáveis pela renda familiar, segundo dados coletados no vestibular 2020. Em Piracicaba, 210 estudantes estão matriculados na instituição.

Pandemia deve impulsionar aulas online

O distanciamento social causado por conta da propagação do novo coronavírus deve estimular ainda mais o ensino online. “Já é possível verificar o aumento da procura por cursos livres, ofertados por grandes plataformas internacionais”, afirma o reitor interino da Unimep. A grande questão, segundo ele, é que os estudantes aprendam a se informar sobre a qualidade dos cursos ofertados para buscarem se matricular em instituições que prezam por mais qualidade e garantem mais espaço à pesquisa e à extensão.

Porta-voz da ABED, Júnior afirma que a pandemia trouxe a oportunidade para que muitos experimentassem a modalidade a distância. “Vai depender da competência das instituições, das empresas de educação superior, como elas proporcionaram essas experiências, para ter a certeza que os alunos gostaram ou não. Segundo dados da empresa Mercado Edu, em torno de 70% dos estudantes no Brasil ficaram satisfeitos com essa mudança de última hora experimentada em 2020”.

Ana Carolina Leal
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