Depressão na infância e adolescência: como identificar e tratar

Irritabilidade, sono extremo e desânimo podem ser os primeiros sinais da doença

A terceira maior causa de mortalidade entre jovens brasileiros de 15 a 24 anos são as lesões autoprovocadas intencionalmente, com 2.420 mortos em 2020, segundo dados do Ministério da Saúde. Em primeiro lugar para esta faixa etária, aparecem as agressões, com 16.331 mortes, seguidas dos acidentes de transporte, com 6.450 óbitos.

O médico coordenador do Departamento de Psiquiatria da Infância e Adolescência da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), Antônio Alvim Soares, explica que as automutilações registradas no ranking do Ministério da Saúde podem ser um dos sintomas da depressão na juventude.

Como referência, dados divulgados pela Secretaria Estadual da Educação apontam que casos de depressão e ansiedade entre crianças e adolescentes cresceram120% apenas na Capital paulista, em três anos. De 256 em 2018, foram para 378 em 2019, 521 em 2020 e 565 em 2021. O aumento de 120% é em 2021 em relação a 2018. O JP conversou com a psicóloga clínica Luzia Aparecida Dominguez Silveira Garcia para entender como a depressão se manifesta entre as crianças e jovens e de que forma os pais e responsáveis podem se orientar para tomar atitudes nesses casos.

“Diferente da depressão, a tristeza é uma emoção e quando a sentimos, sabemos de certa forma o motivo, como ter perdido um ente querido, mudanças de cidade e/ou escola, brigas e mágoas. A tristeza é passageira e faz parte das nossas vidas. Já a depressão é uma doença, não há um motivo, um fator que a explique”, pontua Luzia.

Ao contrário da tristeza, a psicóloga explica que a depressão pode durar meses ou até mesmo anos e sem um tratamento adequado afeta vários aspectos da vida, como a saúde física, relacionamentos, emprego, social e família.

Ainda sobre os sinais que podem ajudar pais e responsáveis a identificar o comportamento de um deprimido nas crianças e adolescentes, Luzia orienta que a pessoa deprimida geralmente perde o interesse ou prazer (anedonia) pelas coisas que antes lhe eram agradáveis. Apresenta logo no início da doença, alterações no padrão do sono e do apetite (insônia ou sonolência constante, compulsão alimentar ou rejeição a comida).

“Uma queixa comum é de que a pessoa parece com dificuldade de se concentrar, seja em uma tarefa ou conversa, como se a mente estivesse distante e não prestasse atenção nos assuntos”, explica.

As relações entre filhos e pais ou responsáveis podem se tornar estressantes, pois quem está com depressão, se torna uma pessoa negativa, tem mudanças repentinas de humor; pode ter acessos de raiva e de choro; não sente vontade de participar dos eventos familiares e sociais.

É importante salientar que nem todos que sofrem de depressão, terão cada um desses sintomas, por isso é necessário procurar auxílio junto aos profissionais da saúde mental, para uma avaliação.

Quanto ao que fazer caso reconheça esses sinais de comportamento em uma criança ou adolescente, Luzia indica que: “antes de mais nada, é preciso ter paciência e não cobrar da pessoa deprimida que ela tome atitudes, como sair de casa e realizar tarefas; evitar julgá-la como alguém com falta de interesse, preguiçosa e acomodada. Esses comportamentos só vão piorar a situação porque aumenta a sensação de culpa”.

Ela afirma que a família precisa dar suporte, como uma escuta sem julgamentos, fazer companhia e nesse caso, não é preciso conversar o tempo todo. Quem está com depressão precisa se sentir amparado e saber que não está sozinho nessa fase.

“Os familiares devem orientar e incentivar a pessoa deprimida a procurar auxílio profissional, ajudá-la a entender que a depressão é uma doença e tem tratamento”, disse.

Laís Seguin
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