A cada quarenta segundos (e não só em setembro), alguém se mata e isso precisa nos incomodar mais! Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão será a segunda maior preocupação em termos de saúde pública no Planeta. Estamos falando de uma das maiores causas de suicídio, que é o último grito de socorro, o último capítulo de uma triste novela. O paradoxal e mortal desespero em acabar com a dor, não com a vida.

Mas depressão não é tristeza! Tristeza ocorre após algo ruim que acontece, entretanto ela não dura muito (em média duas semanas) e você consegue reagir, ou seja, ela não “permanece” em você. A depressão, por sua vez, vem de uma tristeza mais profunda, que “permanece”. Isto faz com que a pessoa não consiga reagir e sair da situação. Outra diferença é que na maioria dos casos, o depressivo nem sabe o motivo que está desencadeando seu estado, já a pessoa triste sabe o motivo da sua tristeza.

São vários os graus que medem a depressão, indo do mais leve ao mais complexo, com várias características peculiares a cada um, mas vale lembrar: ela tem cura.

Os sintomas se confundem com outras doenças, portanto, é imprescindível o acompanhamento e a avaliação de um profissional da saúde mental, para que se chegue ao diagnóstico correto, de preferência no início dos sintomas, para que a pessoa não chegue ao suicídio. Existem muitas causas para a depressão e para o suicídio, como baixa autoestima, traumas de infância ou atuais, hereditariedade, ansiedade, alcoolismo, drogas, problemas de aceitação, dificuldades de relacionamento, separação, bipolaridade, envolvimento em situações difíceis ou doenças graves, reação aos acontecimentos negativos, crenças, perdas, frustrações, mágoas, além de outros sentimentos mal resolvidos, que vão tirando o “colorido” da vida na pessoa e deixando-a sem perspectivas e propósitos.

Os transtornos mentais estão se proliferando pelo mundo. Pesquisas indicam que nos próximos anos, uma em cada duas pessoas terá algum problema emocional grave e não falar sobre isso apenas “colabora” no agravamento do cenário. Importante lembrar que problemas emocionais e o próprio suicídio não escolhem idade, classe social, religião, gênero ou qualquer outro indicador e as estatísticas estão aí para comprovar.

Desejo sinceramente que governo e sociedade comecem a olhar para este tema com mais carinho e atenção, porque há falta de informação e excesso de preconceito. Por incrível que pareça, ainda existem pessoas que consideram depressão uma “frescura”, falta do que fazer e aí por diante… Depressão, como qualquer outro problema emocional, é coisa muito séria.

O medo do futuro, a diminuição do prazer em viver e realizar coisas, a angústia e o sofrimento são tão profundos que o depressivo não enxerga outra opção que não seja acabar com a própria vida, portanto, considera o suicídio um “alívio”, uma “solução”. Veja a gravidade desse tema! Para os depressivos, o suicídio não é uma forma de chamar atenção, é uma realidade!

Se você conhece alguém com os sintomas descritos aqui ou se você se identificou com algum deles, não hesite em buscar ajuda, mas ajuda especializada e o quanto antes. Isso é nobre e sábio!

Aliás, o mundo está precisando de pessoas que apoiem mais e julguem menos. Que façam mais e falem menos.

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