Descarte irregular traz prejuízos ao meio ambiente e à população

Usinas recicladoras recebem toneladas de lixo irregular | Foto: Claudinho Coradini/JP

Roupas, plásticos, garrafas de vidro, armários, resto de alimentos e até mesmo sofás são descartes irregulares encontrados constantemente em caçambas que deveriam ser de uso exclusivo para entulho de construção. Jogar qualquer objeto nestas grandes caixas estacionadas rente às calçadas é a solução rápida para a pessoa se livrar do que considera lixo, no entanto, é um ato irresponsável que aumenta e prejudica um complexo sistema de descarregamento, triagem e reaproveitamento destes materiais, das ruas aos aterros.

Este é um drama diário tanto das 26 empresas de caçambas em Piracicaba quanto das duas usinas recicladoras para onde os entulhos são levados. Por causa da quantidade de lixo irregular nas caçambas, conta Mariana Bonetto, uma das administradoras da Eco Verde Ambiental, a destinar usina precisa levar parte do material que vem dentro da caixa para o aterro sanitário mais próximo, que fica em Iracemápolis – Piracicaba não possui aterro.

Mariana conta que, por mês, a usina recebe cerca de 100 mil toneladas de descarte de caçambas e não raramente a situação é crítica. “É comum chegar caçamba com até 70% de lixo, que não aproveitamos. Rodamos mais de 100 quilômetros para levar até o aterro em Iracemápolis”, ela reclama.

É um problema de falta de conscientização da população, aponta Débora Coletti, proprietária da Piramassa Caçambas. “Apelamos às pessoas para que não utilizem caçamba como lixo comum. As caçambas são para uso exclusivo do indivíduo que contratou o aluguel de uma para depositar material inservível de obra, entulho. O descarte irregular um trabalho redobrado e custo alto para as usinas de reciclagem”.

O descarte incorreto de resíduos nas caçambas, ressalta Débora, pode impactar também no bolso da pessoa que pagou pela caixa. O aluguel de uma, conta a empresária, é geralmente de 15 dias na rua e 30 em condomínios, e suportam de 4 a 5 metros cúbicos de material. Quanto mais lixo errado dentro, mais cedo o volume é preenchido, segundo ela, muitas vezes antes que o contratante de fato tenha a usado para tudo que deveria.

“Quando nos solicitam uma caçamba numa sexta-feira, então, sugerimos levar ao local apenas na segunda, porque corre o risco de ficar com muito lixo orgânico e outros materiais que pessoas jogam durante sábado e domingo”, revela Débora.

Este problema, inclusive, aumentará os custos para os consumidores. “As usinas aumentarão as taxas de recolhimento no início de setembro, porque o processo é muito maior com a quantidade de lixo errado das caçambas. Precisaremos, então, repassar esse valor aos clientes”, ela pondera.

Mariana explica que se trata de um custo operacional. “O entulho é moído e retorna para o ser humano, vira base de asfalto, com alto nível de compactação. Também serve para fazer tijolo. Mas resíduo orgânico, vidro, isopor ou qualquer material contaminado não, vira uma montanha de lixo, que praticamente pagamos para levar ao aterro”.

DESCARTE CORRETO
A Sedema (Secretaria Municipal de Meio Ambiente) revela que desenvolve uma campanha de conscientização sobre descarte cidadão do lixo. “Em breve terá materiais informativos sobre o correto descarte de vários tipos de resíduos, que serão ser utilizados em Programas de Educação Ambiental voltado a Resíduos Sólidos, bem como por grupos que estejam trabalhando o tema em suas instituições”, respondeu em nota.

Erick Tedesco