Descoberto pela fé e livre do submundo das drogas e álcool

Após sobreviver a uma overdose, Luís Aguiar conseguiu ressignifi car-se com a força da religião. (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Luís Antônio de Souza Aguiar hoje conseguiu dar a volta na vida de maneira radical. Encontrou-se com o submundo das drogas ilícitas, mas conseguiu uma libertação em todos os sentidos. Hoje é funcionário na empresa de hidráulica que trabalha há 30 anos e obreiro na igreja que frequenta. Atua na transformaram de vidas e usa seu testemunho para motivar pessoas que tentar se livrar do vício.

Quem olha para Souza não imagina que há 15 anos, o Geladeira, apelido que recebeu de seus amigos, era um homem perdido em suas próprias dependências químicas. Ele só conseguiu superar-se após chegar ao fundo do poço e enxergar que precisava se libertar dos seus próprios vícios.



A mudança de atitude nãofoi fácil, pois a sua vida no mundo das drogas começou muito cedo, aos sete anos de idade. Aguiar conheceu um rapaz que morava ao longo do percurso que fazia para ir à escola e virou amigo dele. Mas foi justamente esse ‘amigo’ que o influenciou a fumar o seu primeiro cigarro de maconha. “Eu já não fui mais para a escola, faltava para fumar maconha. Eu fiquei três anos no primeiro ano”, comentou Aguiar.

Segundo Geladeira, ficar dois anos na maconha e isso já gerou muitos problemas em sua família o que o deixava com medo, mas nem isso foi o sufi ciente para fazê- -lo parar. Aos 12 anos , outro rapaz, ofereceu para ele um gole de pinga. “Eu chegava a ser o super herói, o rei da cocada branca, chegava bêbado e nessa situação fui indo, essa foi a minha infância”, disse.

Para Aguiar, chegou uma época em que ele não ficava mais sóbrio, sempre estava bêbado. Foi justamente nessa época que ele conheceu a sua esposa, Cláudia. “Comecei a frequentar o bairro Paulista, onde a minha esposa tinha um bar”, explicou.

Logo depois de conhecê-la começaram a namorar e depois decidiram morar juntos, porém, nesse meio de tempo, Geladeira começou a usar cocaína.

“Cláudia deu-me um carro de presente, mas ficamos com ele apenas quatro meses porque tivemos que vendê- -lo para pagar os traficantes”, enfatizou.

A situação do seu vício se complicou quando ele começou a vender as coisas da própria casa, além de roubar algumas pessoas que conhecia, mas a situação agravou- -se, ele passou a ameaçar de morte a a sua mulher.“Eu trancava-a no banheiro para passar à noite cheirando (cocaína), depois disso queria ter relação, mas não tinha condições”, explicou.

Mas isso não era o pior, para conseguir quitar as suas dívidas com os trafi cantes, Aguiar colocou a vida da sua mulher como garantia. “Eu negociei com o traficante a vida da minha mulher, então todos os meses ela tinha que ir e pagá-lo, senão, ela morria”, relembra.

A escolha para sair desse mundo sombrio, foi a segunda overdose que teve e que o levou a ficar internado. “Eu acordei no pronto-socorro e senti uma presença espiritual, a fi gura era preta, como se fosse a morte, ela queria levar-me desse mundo, então eu fechei os olhos e implorei para Deus misericórdia que se ele me tirasse dessa eu sairia dessa vida completamente”, disse.

A partir desse momento, Aguiar disse que chorou porque sentiu a presença de Deus naquele ambiente. “Cheguei em casa, depois de ser liberado e nunca mais coloquei uma gota de álcool, não acendi mais nenhum cigarro e nunca mais usei cocaína”, comentou.

Aguiar afirma vive na sobriedade há 15 anos. “Eu tive uma libertação e quem me ajudou foi Deus”, ponderou.

Atualmente Geladeira frequenta uma igreja evangélica e é apaixonado pelo seu trabalho. “Hoje em dia eu sou o pai da minha família e todos os meus irmãos frequentam a igreja, tenho um apartamento, uma casa, um carro e a mulher da minha vida ao meu lado, a minha vida foi basicamente do lixo para o luxo”.

Isabella Ercolin
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