Desemprego atinge o setor do comércio com 30% de demissões

Foto: Alessandro Maschio/JP

Dados do Caged mostram de 10.895 pessoas perderam o emprego no 1° trimestre do ano na cidade

Trabalhadores do setor de serviços, vendedores do comércio em lojas e mercados foram os mais atingidos pelas demissões em Piracicaba neste ano. De um total de 10.895 pessoas que perderam o emprego até março, 30.8% delas pertence a este grande grupo. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia. A notícia não é surpresa para entidades ligadas ao comércio local.

O perfil dos que trabalhavam com serviços ou vendas é maior entre as mulheres: 1.892 contra 1.462 homens. Dentre os subgrupos por faixa etária que deixaram de trabalhar, 885 tinham entre 30 e 39 anos, 861 de 18 a 24 anos, 553 de 40 a 49 anos e 356 de 50 a 64 anos de idade. Entre comércio e serviços, o primeiro é do grupo com saldo negativo de 221 vagas – enquanto o de serviços é positiva em 159 contratações. Ou seja, o comércio não demitiu e não recontratou.

Sobre o aumento das demissões do comércio no primeiro trimestre deste ano, o Sincomércio (Sindicato do Comércio Varejista de Piracicaba e Região) classifica o cenário como “infelizmente dentro do esperado”.

O presidente da entidade, Itacir Nozella, aponta que os números refletem uma tendência já reconhecida de redução de empregos no primeiro trimestre. “(É) quando as empresas demitem os funcionários temporários do fim do ano anterior, mas que tende a ser ainda maior agora.”

Nozella ainda destaca que outros fatores complicam o emprego nas empresas que atuam como lojas ou mercado. Primeiro, a segunda onda da covid-19 que limitou novamente a circulação de pessoas. “Muitos negócios tiveram que permanecer fechados por longos períodos. Para reduzir despesas, muitos empresários tiveram que demitir ou até mesmo fecharam definitivamente.”

Contribuiu também para as demissões deste ano o fim do auxílio emergencial. Segundo o presidente do Sincomércio, o dinheiro liberado ano passado, na faixa dos R$ 600, “serviu como um alívio para o orçamento familiar e manteve o consumo”.

“No contexto econômico, os aumentos da inflação e dos juros e o desemprego deixaram este início de ano ainda mais negativo. É difícil prever como serão os próximos meses, com o calendário de vacinação ainda incerto e a possibilidade de novos lockdowns que podem prejudicar ainda mais o setor, aliados à falta de incentivos fiscais do governo em todas as esferas.”

O presidente da Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba), Luiz Carlos Furtuoso, aponta os lockdowns como culpados pela crise no setor e consequente desemprego. “Em relação ao contexto do comércio e serviço, com abre e fecha, temos um contexto de insegurança. Observo que, com a retomada, sem novos fechamentos, a economia vai melhorar com o tempo e, portanto, haverá melhora na movimentação dos estabelecimentos. Muitos deles ainda, como restaurantes e eventos, estão limitados.”

Furtuoso segue sua análise atrelando melhores níveis de emprego ao funcionamento regular e prevê uma data, ainda neste ano, para que as condições anteriores à pandemia da covid-19 se estabeleçam em definitivo.

“Quando todos os setores voltarem a funcionar de forma regular, aí teremos a retomada de geração de emprego. Vai depender muito da retomada segura da abertura que determinará o prazo de um reaquecimento da economia. Acredito que isso só vá acontecer de forma mais vigorosa a partir de setembro, caso não aja retrocessos”.

OUTRAS DEMISSÕES

O segundo grupo que mais sofreu com o desemprego nestes primeiros três meses de 2021 em Piracicaba foi a produção de bens e serviços industriais: 3.234 desligados. Porém, o saldo entre os demitidos e contratados é positivo em 1.149 trabalhadores – 4.383 pessoas destes grupos foram chamadas ao trabalho com carteira assinada.

O pessoal do administrativo ocupa o terceiro lugar no ranking com 1.761 demissões – saldo de 425 contratações para um total de empregados de 2.186. Com uma massa de desligados um pouco menor – mais importante porque agrupa os professores – estão os técnicos do nível médio: 884 demissões, mas com 1.149 contratações.

Cristiane Bonin

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