Desfiles passam por transformação

Grandes marcas de grife como a Marco Marco já utilizam modelos trans em grandes desfiles. Foto: Divulgação

Modelos plus size, negras e trans estão cada vez mais ganhando espaço nas passarelas da moda

O mundo está se reinventando, propaganda, estilos de vidas, conceitos antes vistos como tabus agora são vistos como mais aceitos e descriminalizado. Com moda também foi assim, como acima de tudo uma manifestação artística essa empresa influenciadora de tendências se reformulou e hoje dá espaço para aquilo que merece seu verdadeiro destaque: a diversidade.

Claro que isso não faz os modelos dos corpos ditos como perfeitos, da pele aveludada e do cabelo considerado “ideal” sumirem das passarelas, mas sim, que esse mundo também está dando espaço merecido às mulheres do mundo, que têm em seus diferenciais. São estes detalhes faltantes como as mulheres trans, negras e plus size que dão um brilho novo às passarelas e são bem recebidas algo que até pouco tempo era considerado impossível.

Anos atrás, estas mulheres tiveram seus nomes riscados das possíveis modelos que poderiam desfilar nas passarelas mais famosas do mundo da moda e em eventos da alta costura por um motivo: o preconceito. Afinal, segundo a sociedade, elas não seriam o padrão de beleza ideal e perfeito.

Muitas marcas estão se abrindo para essa diversidade, mas as que negam isso estão perdendo audiência. Em uma entrevista para a revista Vogue, o diretor criativo da Victoria’s Secret, Ed Razek, disse ser contra essa diversidade. “É tipo, por que o seu show não faz isso? Você não deveria ter transexuais no show? Não. Não, eu não acho que nós deveríamos. Bom, por que não? Porque o show é uma fantasia”, declarou. O resultado foi claro: a audiência dos desfiles caiu pela metade, e apesar de ainda ser a marca de roupas intimas mais comprada nos Estados Unidos, seu público vem diminuindo. Em uma pesquisa de 2019 feita pela Wells Fargo mostrou que 68% das pessoas gostam menos da marca.

O que isso mostra? Marcas que investem na diversidade vêm ganhando carinho, admiração e, claro, mais lucro por parte dos consumidores, que vêem na própria empresa seus rostos espelhados, fazendo com que essas pessoas, que por muitos anos foram consideradas fora dos padrões, se sintam parte de verdade desse universo

Graças a essa abertura para a diversidade, mulheres como Sofia Rebello tem a possibilidade de possuir sonhos mais ambiciosos.

Sofia tem 19 anos, é nascida em Itapissuma, Pernambuco; a modelo descobriu-se trans aos dez anos de idade e, desde então, foi realizando sua transição com apoio de seus familiares em todas as etapas do processo. Atualmente ela mora na Itália e vive sua carreira de modelo, influencer e, ativista LGBYQ+.

“Meu sonho sempre foi trabalhar com a internet, pois foi onde eu me encontrei e não imaginei outra coisa, a não ser isso. A minha missão é levar a representatividade trans onde eu for e mostrar que sou capaz de qualquer coisa, pois esse é o meu grande desejo”, comenta a modelo.

Sofia quer seguir os passos da, também modelo, Laís Ribeiro, única brasileira hoje da Victoria’s Secret e de Valetina Sampaio, outra representante trans nas passarelas.

“Sei que é um mercado disputado, mas é um sonho para mim e, por isso, estou me dedicando e estudando bastante sobre a profissão. Espero construir uma carreira na moda e, com isso, que minha trajetória possa inspirar outras trans a conquistarem seus sonhos”, disse Sofia Rabello

Apesar da cultura estar em processo constante de mudança, a visão dela ainda é distorcida por muitas pessoas. Por isso a luta continua constante para que os verdadeiros profissionais desta área tenham seus lugares de fala antes, durante e depois das passarelas.

Larissa Anunciato

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