Desvalorização e falta de EPI: entidades comentam sobre falta de estrutura da polícia

Raquel, do Sindipesp, diz que há déficit de 13 mil policiais. (Foto: Divulgação)

Considerada como trabalho essencial, a Polícia Civil não pode atuar em home office como algumas profissões, os investigadores, delegados, escrivães e demais funções nas carreiras estão nas ruas para realizarem as investigações, prisões e atendimentos à população nas delegacias durante a quarentena para coibir a pandemia da covid-19. Para a presidente do SINDPD (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo) Raquel Hidrobase Gallinati, o Governo de São Paulo não estabeleceu protocolo para proteger os policiais neste dia 1º de Maio, comemorado o ‘Dia do Trabalho’ será histórico para todos,

“Neste feriado, boa parte das pessoas está obrigada a ficar em casa diante da incerteza do desemprego ou se receberá seu salário. Nós, trabalhadores dos serviços essenciais, estamos com medo de sair de casa e contrairmos a covid-10, pois os EPIs (Equipamento de Proteção Individual) como álcool em gel e máscaras recebidas pelo Estado são insuficientes para todos os policiais, muitos estão usando dinheiro do bolso para se protegerem”, disse Raquel, que também enfatizou que a corporação conta com a defasagem no Estado de mais de 13 mil policiais de todas as carreiras.

O presidente da Adpesp (Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, Gustavo Mesquita Galvão Bueno compartilha da mesma análise do Sindpesp, pois enfatiza que os policiais civis estão 24 horas por dia à disposição da população.

“Escolhemos ser policiais por vocação, e temos grande satisfação em cumprir essa nobre missão. Mas é preciso dizer que nosso trabalho não deve ser visto como sacrifício, onde se renuncia a um mínimo de conforto e segurança para nossas famílias. O ser humano policial precisa ser valorizado e visto como os demais profissionais, sendo respeitados em seus receios, necessidades e anseios”, disse Bueno.

Segundo ele, os policiais têm responsabilidades sobre a segurança da sociedade. “Somos aqueles que dão suporte ao trabalho de todos os outros profissionais, à vida em sociedade e à liberdade de cada cidadão. Mesmo diante de um elevado déficit na Polícia Civil e de baixos salários, permanecemos exercendo bravamente nossas funções. Os policiais civis trabalham para que as pessoas possam trabalhar, para que possam viver com tranquilidade e em paz”, destacou.

Aparecido Lima Carvalho, o Kiko, presidente do Sindipol (Sindicato dos Policiais Civis do Estado de São Paulo e da Feipol (Federação dos Policiais Civis) da Região Sudeste considera que neste ‘Dia do Trabalho’ continuam na linha de frente em atendimento a nossa população sem a mesma contrapartida pelo governo de São Paulo. “Fomos massacrados em nossos direitos na reforma da Previdência, temos o maior déficit de policiais civis da história.

Trabalhamos em escalas absurdamente desumanas e ainda amargando o pior salário do Brasil. Tudo isto sem falar da falta de avaliações físicas ou psicológicas que o governo ignora como se fossemos máquinas e não seres humanos e afirmo isto diante do alto índice de suicídios que temos na instituição, disse Kiko. “Precisamos urgente de uma reestruturação com a devida valorização de nossos policias só assim teremos um efetivo capaz de dar uma contrapartida de serviços com qualidade e eficiente que nossa população tanto precisa”, completou.

OUTRO LADO
A SSP (Secretaria de Estado de Segurança Pública) foi questionada sobre a situação da Polícia civil, mas não retornou o contato realizado pela reportagem.

Cristiani Azanha

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