Dia da Mulher marca luta pela conquista de igualdade de direitos

“Não precisamos ganhar flores. Precisamos de um dia para reconhecer as mazelas que vivemos há séculos” (Foto: Contenders Collective)

Nesta segunda-feira, 8 de março, celebra-se o Dia Internacional das Mulheres na maioria dos países do mundo. No entanto, diferentemente de outros dias comemorativos, a data não foi criada pelo comércio e nem tem como objetivo apenas fazer uma homenagem às mulheres. Ela tem raízes históricas e se tornou um marco na luta pela conquista de igualdade de direitos da mulher.

“A data em si tem um simbólico que vai muito além do que a gente entende como uma luta. Quando a gente fala do dia 8 de março, estamos falando da luta, desse reconhecimento da mulher na sociedade. Uma sociedade que enclausurou, objetificou, que massacrou a mulher na sua condição de pensar, de agir”, afirmou Heliani Berlato, professora do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq/USP de Piracicaba.

Para a docente, a data tem que lembrar não uma luta por direitos, mas sim pelo respeito. “Esses dias comemorativos são importantes para conscientizar, mas não para legitimar o avanço da nossa caminhada. Nós não precisamos de um dia das mulheres para ganhar flores. Nós precisamos de um dia para reconhecer todas as mazelas que nós vivemos há séculos. É dia de reflexão, de consciência, de reconhecimento, para mostrar que não está ganho. Pelo contrário. Qualquer crise política, econômica, religiosa, tira aqueles direitos tão difíceis de serem adquiridos”, pontuou.

Oficializado pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1975, o chamado Dia Internacional da Mulher é comemorado desde o início do século 20. No Brasil, é muito comum relacionar a data ao incêndio ocorrido em Nova York no dia 25 de março de 1911 na Triangle Shirtwaist Company, quando 146 trabalhadores morreram, sendo 125 mulheres e 21 homens (na maioria, judeus), trazendo à tona as más condições enfrentadas por mulheres na Revolução Industrial.

No entanto, há registros anteriores a esse episódio que trazem referências à reivindicação de mulheres para que houvesse um momento dedicado às suas causas dentro do movimento de trabalhadores. “As mulheres, hoje, estão na sociedade, estão ocupando espaços, mas ainda pagam um preço caro porque ganham menos, ainda são vistas e rotuladas na condição de se vestir, de não atender um padrão esperado”, enfatizou Heliani.

O coletivo feminista, antirracista e antifascista de Piracicaba, Marias de Luta, diz que março segue sendo o mês de rememorar as razões pelas quais as mulheres estão constantemente em luta, seja em organizações da sociedade civil, seja em seus lares enfrentando negações e violências.

“No entanto, devemos reforçar que, infelizmente, nossa luta não acaba aqui, pois continuamos a morrer física e socialmente. Como exemplo, temos mulheres deficientes com acessos negados devido a uma sociedade violentamente capacitista, indígenas tendo seus familiares e lares extirpados por ações de produtores rurais, mulheres trans assassinadas por transfobia, mães pretas vendo o Estado violento ceifar a vida de seus filhos. Nos manteremos em luta até o dia em que possamos ter garantido primeiramente o nosso direito de viver, que de muitas formas a todas nós mulheres, em suas adversidades, é negado”, destacou.

Mercado de trabalho – De acordo com o coletivo Marias de Luta, dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelam que as mulheres representam 52,4% da população em idade de trabalhar, porém, o grupo feminino responde por 45,6% do nível de ocupação, enquanto que os homens ocupam 54,3% nessa posição.

Segundo a historiadora Marly Therezinha Germano Perecin, até o século 20 a mulher viveu no interior o seu anonimato, mas sem perder a sua importância natural. “Foi depois de aceitar todos os desafios do mundo moderno que ela assumiu o novo paradigma na escala de produção econômica e em todos os campos do saber, sem deixar de ser feminina e mãe. Esperamos muito mais delas, em nome do desenvolvimento da humanidade”.

Ana Carolina Leal
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