Dia da Visibilidade Trans: uma luta por direitos e pela vida

Daniel Manduchi será mediador de evento no Sesc. (Divulgação)

Com objetivo de chamar a atenção para as violações de direitos das pessoas transexuais e travestis, hoje é comemorado o Dia da Visibilidade Trans. O Sesc Piracicaba, em parceria com o coletivo Transitando, traz uma programação voltada ao assunto. Daniel Manduchi, um dos fundadores do coletivo, será mediador da roda de conversa Visibilidade Trans, que ocorre hoje na Comedoria do Sesc a partir das 19h30, com artistas transgêneros que discutirão sobre a importância do meio artístico como espaço para expressão e reflexão. Amanhã, no mesmo horário, terá o show duplo da rapper JuPat e do Projeto Transcrito, composto por Tio Cris, NicoLaw e JugJonez.

O coletivo surgiu após as eleições de 2018 para unir a população trans da cidade e levar informação sobre o assunto, conforme conta Manduchi. “A ideia surgiu depois da eleição do Bolsonaro. Eu e meus amigos estávamos nos sentindo mal, sozinhos, com muito medo, e aí a gente resolveu se unir”.

“O pessoal tem muita dificuldade de entender o que é, como funciona, até mesmo as pessoas trans têm bastante dificuldade de entender certas coisas, então a ideia é sempre fazer evento informativo, de debate, trazendo palestrantes”, explica.
Ao todo, o coletivo tem 25 participantes, sendo que cinco membros participam ativamente na organização dos eventos e do projeto “Transitando nas Escolas”, que visa levar a discussão para os professores, alunos e pais. Atualmente há parceria com o Instituo Formar.

“Dentro da licenciatura, a questão do gênero não é tão discutida nas universidades, então chega nas escolas, os professores e diretores muitas vezes não sabem lidar com as situações, os pais muito menos, os alunos, amigos… tem toda a questão do bullying, etc. Aí a gente leva esse debate de forma simples, de forma geral”, conta Manduchi. Para este ano, o coletivo quer abrir uma casa de acolhimento para pessoas trans em situação de rua e, neste local, oferecer também cursos profissionalizantes.

Uma pessoa trans é aquela que não se identifica com o gênero – feminino ou masculino – designado a ela no nascimento, por isso é uma questão de “identidade de gênero” e não de orientação sexual, que neste caso é por quem a pessoa tem atração sexual – como hétero ou homossexual.

Entre as reivindicações da população trans está a adequação do nome social – sem a necessidade de cirurgia de adequação de sexo ou laudo médico; a transexualidade não ser tratada como doença, pois o Código Internacional de Doenças, o CID 10, ainda a trata deste forma; poder usar os banheiros de acordo com o gênero com o qual se identifica e, principalmente, pela vida.

 

A idade média de uma pessoa trans no Brasil é de 35 anos. Segundo levantamento da agência Gênero e Número, com base em dados do Ministério da Saúde, 11 pessoas trans são agredidas a cada dia no Brasil. De acordo a Transgender Europe, de outubro de 2018 a setembro de 2019, 132 pessoas trans foram assassinados no país. Em 2018, pelo levantamento da Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) e do IBTE (Instituto Brasileiro Trans de Educação), o número foi de 163 pessoas. Dessas, 97% foram travestis e mulheres trans; 82% pretas ou pardas e 60,5% tinha entre 17 e 29 anos.

 

Andressa Mota

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