Data é lembrada em Piracicaba por meio de debate com mulheres ligadas ao ativismo negro | Foto: Claudinho Coradini/JP

Inspirado no Dia da Mulher Afro-Latina-Americana e Caribenha (dia 31 de julho), criado em julho de 1992, o Brasil celebra o Dia Internacional das Mulheres Negras – desde 2014 – em 25 de julho. A data é lembrada em Piracicaba por meio de um debate com a participação de mulheres ligadas ao ativismo negro. Será em forma de live, a partir das 17h, em www.facebook.com/ronaldomandatocoletivosomosporpiracicaba. O evento terá como mediador o ativista de movimentos sociais Ronaldo Almeida.

As convidadas do debate são personalidades conhecidas, como a cantora e produtora cultural Elaine Teotonio, a yalorixá Mãe Nonata, a representante do Movimento Mulheres Negras Silvana Veríssimo, a atual secretária nacional de combate ao racismo da Cut (Central Única dos Trabalhadores), Anatalina L, e a comendadora Edna Lourenço.

Apesar de corresponder a 54% dos brasileiros, destaca Almeida, a população negra ainda luta para eliminar desigualdades e discriminações, apenas um índice que enaltece a relevâancia em se propor debates nesta data. “São cerca de 97 milhões de pessoas e, mesmo sendo a maioria, está sub-representada no Legislativo, Executivo, Judiciário, na mídia e em outras esferas. Em se tratando do gênero, o abismo é ainda maior. Apesar da baixa representatividade de Mulheres Negras na política e em cargos de Poder e de decisão, cada ascensão deve ser comemorada como reconhecimento”, ele enfatiza.

De acordo com a Associação de Mujeres Afro, na América Latina e no Caribe, 200 milhões de pessoas se identificam como afrodescendentes. “Porém, tanto no Brasil quanto fora dele, essa parcela populacional também é a que mais sofre com a pobreza: três em cada quatro são pessoas negras, ainda segundo o IBGE”, contextualiza Almeida.

No entendimento do ativista, é emergencial a criação de políticas públicas de ações afirmativa, políticas de inclusão de gênero e raça, de combate à discriminação e racismo e de promoção da igualdade de oportunidades em todos os setores da sociedade. “Quando falamos em Racismo Institucional e Estrutural, encontramos vários dados que demonstram que é estratégico. Desde próximo à conquista da liberdade questionável do povo Preto, diversas leis foram criadas negando direitos aos afrodescendentes, criando diversas cotas a outras etnias para que vivessem ao Brasil e fomentando o branqueamento. Existem diversos documentos que registram estas ações”.

O dia da mulher negra é uma destas conquistas, ressalta. “Temos que defender de perguntas como: ‘mas já não tem o dia da mulher?’, ‘mas já não tem datas para o negro?’, ‘porque uma data específica para a mulher negra?’. As lutas são representadas pelo recorte da mulher negra que enfrenta o racismo, o machismo e o maior índice de feminicídio”.

Afropira

Outro evento em Piracicaba neste sábado e alusivo à data é uma live dentro da programação do 4º Fenacap (Festival Nacional de Capoeira de Piracicaba). Acontece às 19h, com transmissão ao vivo pelo facebook do Afropira (facebook.com/afropira), com duas represantes do movimento negro: a professora de dança Marcinha, graduada pelo Grupo Engenho Central de Meste Geninho e em Educação Física, e a pedagoga e dançarina Nanny, com diversos trabalhos de capoeira junto a entidades de São Paulo.

Erick Tedesco ([email protected])

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