A idade gestacional, fatores de risco, mortalidade infantil e desenvolvimento do bebê são preocupações constantes na rotina daqueles que estão a espera da chegada do filho. (Foto: Freepik)
Por Camila Tuchlinski

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera parto prematuro aquele que ocorre antes de 37 semanas de gravidez. A idade gestacional, fatores de risco, mortalidade infantil e desenvolvimento do bebê são preocupações constantes na rotina daqueles que estão a espera da chegada do filho.

Neste Novembro Roxo, contamos a história da pequena Elis, que nasceu com 26 semanas de gestação, o que corresponde a seis meses e meio, pesando 780g. Antes do parto, Renata Lopes Francisco de Andrade e o marido, Braulio Vanalli de Andrade, já sabiam que havia chance de a pequena chegar antes da hora. Com 21 semanas de gravidez, foi detectada uma alteração no colo do útero, na ultrassonografia de rotina.

“Tentamos medidas para atrasar o parto e também o repouso, porém no final da 25ª semana acabei entrando em trabalho de parto. Inicialmente tentamos inibir, mas sem sucesso, e então ela nasceu em um parto cesáreo. Estávamos muito nervosos pois sabíamos de muitos dos riscos, já que além de mãe sou também pediatra”, relembrou Renata.

Elis nasceu bem e foi encaminhada à UTI Neonatal. “Isso foi no dia 23 de setembro de 2020. Desde então estamos na rotina da UTI, com visitas duas vezes ao dia e ordenhas de leite nos intervalos. Ela sempre foi muito bem cuidada e está evoluindo cada dia melhor, atualmente já com 1.630g”, afirma.

Renata ressalta a importância da informação para a gestante que corre o risco de ter um bebê prematuro. “Percebemos hoje que o pré-natal adequado permitiu que atrasássemos o parto em, pelo menos, cinco semanas, o que foi fundamental para seu bom nascimento e boa evolução. E também, claro, seu atendimento em uma boa unidade de UTI Neonatal é fundamental para que ela esteja cada dia mais esperta e forte”, concluiu.

Neste 17 de novembro, o planeta chama atenção para o Dia Mundial da Prematuridade. Em 2020, o Ministério da Saúde promove uma semana de conscientização, alertando sobre o problema que afeta 340 mil bebês todos os anos no País.

Para responder as principais dúvidas de pais e gestantes sobre parto prematuro, como evitar ou como lidar com bebês que nascem antes do esperado, a reportagem do Estadão conversou com Silvana Darcie Maccagnano, pediatra e neonatologia do Hospital e Maternidade Santa Joana.

1. O que é prematuridade e qual sua classificação?

A prematuridade é o nome que se dá a condição do bebê que nasce com menos de 37 semanas de gestação. A classificação pode ser com relação à idade gestacional e ao peso ao nascer. Um bebê é considerado prematuro extremo quando nasce antes de 28 semanas e 0 dias de gestação. Já os que nascem entre 28 semanas e 0 dias a 31 semanas mais 6 dias são considerados pré-termo, enquanto os prematuros moderados são os bebês nascidos entre 32 semanas e 0 dias a 36 semanas mais 6 dias. Existem, ainda, os prematuros tardios que são os bebês nascidos entre 34 semanas e 0 dias a 36 semanas mais 6 dias, sendo esta uma subcategorização do moderado Quanto ao peso de nascimento, são classificados como recém-nascido de baixo peso quando menores de 2.500g ao nascer, de muito baixo peso quando estão abaixo de 1.500g ao nascer e de extremo baixo peso inferiores a 1.000g ao nascer.

2. O que causa a prematuridade?

Existem vários motivos que podem levar à prematuridade, como as patologias maternas: doenças uterinas (miomas, colo do útero curto), infecção urinária na gestação, doenças sexualmente transmissíveis (aids e sífilis, por exemplo), infecções adquiridas na gestação e que podem causar infecções congênitas (citomegalovirose e toxoplasmose), gestação múltipla e idade materna (mães adolescentes ou gestantes com mais de 35 anos). Diabetes gestacional, malformações fetais, ruptura prematura das membranas ovulares, hipertensão arterial crônica e doença hipertensiva da gravidez (DHEG – tipo de hipertensão que ocorre após a 20ª semana de gestação) também são motivos que podem levar ao parto prematuro.

3. Quando um bebê é considerado prematuro?

Um bebê é considerado de termo quando nasce no tempo certo, entre 37 semanas e 40 semanas mais 6 dias de gestação. Portanto, considera-se recém-nascido prematuro ou pré-termo aquele que nasce com idade gestacional inferior a 37 semanas de gestação, ou seja, até 36 semanas mais 6 dias. Ainda, quanto ao grau de prematuridade, chamamos de recém-nascido extremamente prematuro os que nascem com menos de 32 semanas ou 28 semanas de gestação, segundo algumas classificações.

4. Como evitar e lidar com a prematuridade?

É possível prevenir o parto prematuro. Tudo começa com um bom pré-natal desde o início da gestação. O acompanhamento com o obstetra deve incluir no mínimo uma consulta mensal, na qual o médico irá acompanhar o desenvolvimento do feto, bem como o estado de saúde da gestante, podendo detectar precocemente sinais das patologias mencionadas na resposta anterior e que podem causar o parto prematuro. Alguns exemplos são: a medida da pressão arterial que permite o diagnóstico precoce e tratamento adequado da hipertensão arterial, o acompanhamento das taxas de glicemia que permite o controle do diabetes, junto com a orientação de uma dieta equilibrada e hábitos de vida saudáveis, uma vez que o sobrepeso e obesidade aumentam o risco de diabetes gestacional. Ainda, é necessário a realização dos exames de ultrassonografia para seguimento do crescimento e desenvolvimento do feto, possibilitando o diagnóstico precoce de malformações fetais que possam predispor ao parto prematuro.

Para lidar com a prematuridade é importante que o bebê prematuro possa contar com o atendimento de uma equipe multiprofissional, composta por neonatologistas, enfermeiras, fisioterapeutas, fonoaudiólogas e psicólogos. Todo bebê recém-nascido demanda cuidados especiais, uma vez que depende de cuidados de outra pessoa praticamente 100% do tempo, em virtude da sua fragilidade, dependência de nutrição e higiene.

5. Amamentação e alimentação de bebê prematuro

Os prematuros, devido à imaturidade de sua sucção e deglutição, bem como da coordenação destas funções com a respiração, devem receber maior atenção nas mamadas quanto ao risco de engasgos. Os bebês prematuros também são mais propensos ao refluxo gastresofágico, portanto é necessário um cuidado maior com o posicionamento do bebê. O mais indicado é manter o recém-nascido em uma posição com o tronco mais elevado após as mamadas.

Estes cuidados se iniciam na maternidade, mas muitas vezes a alta dos bebês prematuros e seus cuidados pós demandam serviços especializados de saúde, como estimulação motora, acompanhamento mais frequente com pediatra e até mesmo de outros especialistas. Além disso, os prematuros tendem a ser mais sonolentos, dormem por períodos maiores e, por isso, necessitam de mais atenção para serem despertos e estimulados nos horários de mamada. Também devido a sua imaturidade imunológica, são mais vulneráveis a processos infecciosos e, com isso, a higiene de seus utensílios e de seus cuidadores no manuseio desses materiais requer atenção redobrada. É importante, ainda, evitar situações de risco, como saídas ou ambientes com muitas pessoas

6. Qual a importância da conversa com os pais sobre maturidade?

O nascimento de um bebê prematuro e sua internação em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal muitas vezes geram diferentes sentimentos nos pais, especialmente nas mães, como frustração, dificuldade de aceitar a situação da gestação ter terminado antes da hora e de ter tido um bebê bem menor, frágil, gerando sentimento de culpa, incompetência, medo do desconhecido, medo de perda e muitos outros. Além disso, a UTI Neonatal é um ambiente muito tecnológico e diferente para os pais, por conta da produção de ruídos e alarmes, por exemplo. Dessa forma, o local é certamente um ambiente para o cuidado intensivo da saúde do prematuro, mas deve também ser acolhedor para os pais.

A equipe multidisciplinar deve explicar o máximo possível os cuidados dispensados ao prematuro para que os pais possam entender melhor o tratamento e acompanhar sua evolução. Porém, é muito importante que haja um suporte psicológico aos pais, por meio de uma escuta empática frente às suas necessidades e demandas emocionais específicas. Esse atendimento pode ser individualizado, mas também associado à realização de reuniões periódicas de pais de UTI com psicólogos, uma vez que os pais de diferentes bebês estão vivenciando experiências semelhantes e em diferentes estágios de evolução e podendo, assim, compartilhar seus sentimentos e contribuir para o encorajamento de outros por meio de uma rede de apoio nessa jornada.

Esse apoio é muito importante desde o início da internação do prematuro na UTI Neonatal, pois a seguir dos sentimentos iniciais de estranhamento daquele bebê frágil, confrontado com o bebê grande idealizado e do medo do desconhecido e de perda, vem a desilusão de deixar de viver os momentos com aquele bebê no quarto da maternidade com a mãe, a amamentação nos primeiros dias ou mesmo o momento da alta materna sem poder levar seu filho consigo para a casa. Assim, o suporte psicológico ocorre para que as vivências dos pais na UTI Neonatal sejam mais suaves, favorecendo a formação do vínculo com o bebê e preparando-os para o momento em que futuramente assumirão os cuidados desse bebê em casa.

Fonte: Agência Estado

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