Dia Mundial de Conscientização do Autismo celebra luta contra o preconceito

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A data tem por objetivo, trazer o debate e difundir informações sobre o tema (foto: freepik)

De acordo com Ana Elisa, medica psiquiatra, com especialização em crianças e adolescentes, o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista [TEA], é clinico e em geral, realizado de maneira conjunta por uma equipe multidisciplinar que, normalmente, é composta de médico, psicólogo, terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo.

“Os sinais mais clássicos e frequentes são: ausência ou inadequação de contato visual, dificuldade ou ausência de interação social, hipersensibilidade auditiva (ficar muito incomodado com barulhos), atraso da fala ou a ausência dela, comunicação oral ruim, não compartilhar interesses, não responder ao chamado pelo nome e movimentos repetitivos com os objetos ou com as mãos”, explica Ana Elisa.

Em 2007, a ONU (Organizações das Nações Unidas) definiu o dia 02 de abril como sendo o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. A data tem por objetivo, trazer o debate e difundir informações sobre o tema para confrontar o preconceito.

Há três anos, Sueli Hoffman passou pelo diagnóstico de TEA do seu filho Ian, que na época tinha 6 anos. Antes disso, a mãe conta que haviam suspeitas com quase certeza. “Independentemente disso, sempre estivemos focados no desenvolvimento dele, frequentando sessões de terapia, correndo atrás dos estímulos, fazendo com que o Ian tivesse conquistas e mais conquistas. O diagnóstico para nós não foi um luto, mas a certeza de que sempre estivemos no caminho certo”, pontua Sueli.

Como toda mãe dicada, Sueli Hoffman tinha seus anseios, e se questionava como seriam as relações e a socialização da criança com os amigos, que no início era difícil, pois Ian não falava: “Ele ficava mais no mundo dele, mais sozinho, os amigos tentavam se aproximar, mas ele não era recíproco, era muito difícil e triste essa fase, mas foi a partir do início da fala dele que essa situação foi melhorando e aí chegaram os amigos”.

Sueli Hoffman e seu filho Ian (foto: arquivo pessoal)

O acolhimento familiar somado a busca pela informação e a inclusão, tiveram resultados. Hoje Ian está no 3º ano do ensino fundamental e contabiliza muitos coleguinhas. “Ele está sempre rodeado de amigos não só os da sala dele, como da escola inteira. O Ian é abraçado e beijado por todos, coordenadoras, professoras, auxiliares, alunos, pais de alunos, desde o momento que entra na escola é envolvido de muito amor” contou a mãe orgulhosa.

Sueli acredita que só será possível diminuir o preconceito através da informação. “Nós temos a obrigação de levarmos o máximo de informações possíveis sobre o assunto as pessoas, de forma clara! eu mesma não tinha ideia da dimensão do assunto e quando entrei nesse universo, vi o quão amplo ele é”, enfatiza.

A enfermeira Melissa Ercolin, percebeu o preconceito ao tentar matricular seu pequeno Samuel, com então 01 ano de vida, em uma escola particular de educação infantil. “Eu comecei a procurar escolinha para ele frequentar e me espantei quando foi negada a vaga. Isso aconteceu em duas escolas particulares bem conceituadas aqui em Piracicaba e, mesmo sabendo que isso é crime, preferi não denunciar e procurar uma unidade de educação que atendesse meu filho”.

Samuel tem sensibilidade com barulhos e lugares que tenham bastante pessoas, o que, de acordo com a mãe, tornam alguns passeios difíceis. “Por exemplo ir ao shopping, quando ele tem suas crises na frente de outras pessoas ele é julgado como birrento e mimado, mas ninguém sabe o que é uma crise de uma criança autista”.

Melissa Ercolin dos Santos e seu filho Samuel (foto: arquivo pessoal)

O medo do desconhecido motivou Melissa Ercolin a buscar conhecimento sobre TEA. “O fato de as pessoas desconhecerem sobre o autismo é triste. Quando eu contava para elas que meu filho é autista, ouvia logo a frase: nossa, mas ele não tem cara de autista, sendo que o autismo não apresenta cara e sim comportamentos peculiares”.

Ela acredita que só promovendo discussões sobre o assunto, possa existir a inclusão para quem tem o Transtorno do Espectro Autista. “O autismo precisa ser mais divulgado, para que as pessoas possam ter a imagem de que cada autista é único no seu jeito de ser e que a palavra “autista” jamais deve ser utilizada de maneira pejorativa”, enfatizou Melissa Ercolin.

Foi o amor pelo seu filho Enrico que levou Eliana Saliba Piacentini a se tornar uma terapeuta especializada no Transtorno do Espectro Autista [TEA]. Eliana, que na época do nascimento de seu filho já era psicopedagoga, disse que notou algo de diferente no pequeno quando ele tinha apenas 5 meses de vida, mas foi só aos 10 anos de idade que o diagnóstico foi definido.

“Nós percorremos os melhores médicos da área até que participamos de um congresso internacional de autismo e tudo ficou claro. Enrico foi diagnosticado e então compreendemos o porquê do meu filho ter dificuldade em manter contato ocular, não suportar som alto; não interagia com outras pessoas e não brincava com os brinquedos de maneira funcional”, relatou.

Foto da familia – Enrico Piacentini, Nivaldo Piacentini, Eliana Piacentini e Lorenzo Piacentini (foto: acervo pessoal)

Eliana se especializou em neurociência aplicada e, em 2017, ampliou o alcance dos seus conhecimentos sobre o tema para além do seu núcleo familiar, ela fundou o IAP – Instituto Autismo de Piracicaba, que promove atendimento especializado sobre TEA com um tratamento de referência.

Os trabalhos começaram com um total de 6 crianças, mas hoje, apenas quatro anos depois, o IAP já atende cerca de 100 famílias. “Com nosso novo espaço físico totalmente planejado e com recursos de equipamentos e infraestrutura dos mais modernos, atendemos uma média de 100 clientes”, informou Eliana.

Com um corpo clínico completo, o Instituto possui fonoaudióloga, terapeuta ocupacional, musicoterapeuta, educador físico, psicóloga, psicólogo clínico e terapia assistida por animais, psicopedagoga, fisioterapeuta aquática neurofuncional, e uma médica otorrino, especializada em foniatria (distúrbios de comunicação e linguagem).

Eliana Piacentini (foto: acervo IAP)

Anualmente o IAP promove em todo o mês de abril, uma série de eventos com atividades voltadas para crianças com TEA, no entanto, este ano a pandemia modificou a agenda de eventos que acontecerão de maneira online, nas redes sociais do Instituto.

A programação foi pensada com objetivo de trazer convidados que tenham trabalhos representativos dentro do “universo” autista e, que de uma forma ou de outra, se destaquem e contribuam com a temática.

A primeira atividade acontece neste domingo (02), a partir das 19h, com a live de tema “A importância da arte dentro do universo autista”, ministrada pelo convidado Deto Montenegro, ator, diretor, produtor de teatro e idealizador de vários projetos sociais, entre eles o “Projeto AUT”, destinado a indivíduos com o TEA, que promove com aulas e apresentações de teatro.

A programação completa pode ser conferida nas redes sociais do instituto:

Facebook: www.facebook.com/iapinstitutoautismo

Instagram: @iapinstitutoautismo

O IAP fica localizado na rua Voluntários de Piracicaba, 793 – Centro.

Contatos:

Telefones: (19) 3371-4697 ou pelo celular (19)99668-5477

Endereço eletrônico: [email protected]

Pedro Martins com colaboração de Isabella Ercolin

[email protected]

[email protected]

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